quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Paraíso cinematográfico para os trintões

Quem costuma passear pelos shoppings e visitar as lojas de departamentos mais populares, que dispõem de preços acessíveis em diversas mercadorias, especialmente CDs e DVDs, deve ter notado o retorno de uma série de títulos que se encontravam esquecidos no mofo das nossas lembranças ou nos arquivos da Sessão da Tarde. Trata-se da coleção Clássicos dos Anos 80, editada pela Sony, que está mandando às lojas desde dezembro do ano passado, obras que fazem parte do escopo de seus estúdios e das lembranças de quem está na casa dos 30 anos.

A lista engloba produções dos estúdios Columbia e Tri-Star Pictures, como "Caça-Fantasmas" e Caça-Fantasmas 2", com Dan Akroyd e Bill Murray, "Conta Comigo", com River Phoenix, "La Bamba", com Lou Diamond Phillips, "Annie", musical com Aileen Quinn e Albert Finney, "Contatos Imediatos do Terceiro Grau", de Spielberg, "Cegos, Surdos e Loucos", fruto da criativa parceria entre os comediantes Richard Pryor e Gene Wilder, e "Férias do Barulho", um dos primeiros filmes do Johnny Depp, entre outros títulos famosos.

Mas para quem realmente frequentou as salas de exibição espalhadas pelas cidades antes da migração para as caixas anti-sépticas dos shoppings, a cereja do bolo em coleções deste tipo são aqueles filmes que quase ninguém lembra, mas que foram especiais para quem não perdia um lançamento sequer. 

É o caso de "Labirinto - A Magia do Tempo", produção de George Lucas com roteiro de Terry Jones (do Monty Phyton) e direção de Jim Henson (ele mesmo, dos Muppets), estrelada por Jennifer Connelly e David Bowie, uma trama de fantasia que envolve seres mitológicos e monstros que poderia muito bem render um RPG ou até mesmo uma série de livros no estilo Harry Potter. Lançado com pompa e circunstância em 1986, o filme custou 25 milhões de dólares, tendo conquistado um pouco menos da metade nas bilheterias, praticamente um fracasso que afetaria para sempre a carreira do criador dos Muppets. Este foi o último filme que ele dirigiria, antes de sua morte.

"Labirinto" é o típico caso do projeto certo na hora errada. Atualmente, está alçado à categoria de filme cult, ao contrário da época em que foi promovido. Só veio obter o reconhecimento devido no segmento de home video, tendo sido lançado 4 vezes em DVD. A obra tornou-se objeto de culto de inúmeros fãs-clubes, que, entre outras coisas, promovem encontros e festas temáticas, além de fanfictions espalhadas pela internet. Somente no Fanfiction.net, há mais de 7.263 histórias escritas na categoria "Labyrinth".

O filme conta a história de Sarah (Jennfier Connelly, na época com 14 anos), garota insatisfeita com a própria vida desde a morte da mãe, que encontra refúgio nas histórias de fantasia dos livros que lê e encena incessantemente. Contrariada com a chegada de uma madrasta e de um irmão fruto da nova união de seu pai, ela deseja que as criaturas de seus livros preferidos levem o bebê embora, num arroubo de fúria por se sentir deixada de lado em favor do novo integrante da família. 

A adolescente tem o seu desejo atendido e é apresentada a Jareth (David Bowie), rei dos Goblins, que nutre uma paixão avassaladora pela menina. Ele então propõe um desafio: Ela terá seu irmão de volta, se conseguir alcançar o castelo no fim de um imenso labirinto, cheio de pistas falsas e criaturas de lábia duvidosa.

Mas o que torna esta película tão atrativa a quem a assistiu? Em primeiro lugar, a temática "criaturas fantásticas e ruptura com o mundo real" sempre foi objeto de admiração do homem, justamente por brincar com crenças e lendas do imaginário popular. Segundo, a direção de arte, do consagrado ilustrador britânico Brian Froud, especialista em arte conceitual inspirada no universo de fantasia, que criou o visual de todos os ambientes e personagens da história, com imagens dignas de colecionadores. Terceiro, a participação de um astro do rock, que trouxe um elemento moderno e irônico a um personagem com tintas etéreas. Jareth, o rei dos goblins, parece ter sido escrito para David Bowie e sua música com guitarras e sintetizadores, acompanhados de convidados de luxo como Chaka Khan e Luther Vandross nos vocais de apoio.

Arte para Sir Dydimus, um dos personagens de 'Labirinto'.





Efeitos simples, mas convincentes

Por mais que muitos efeitos não pudessem ser realizados à época, o trunfo de "Labirinto - a Magia do Tempo" encontra-se no fato de todos os elementos cênicos serem tangíveis, ao contrário das criaturas desenvolvidas no computador por CGI. Aliás, a única animação em CGI presente no filme é a coruja da abertura, a primeira tentativa (com sucesso) do uso desta tecnologia na história do cinema. Fora ela, todos os personagens são monstros confeccionados com látex, tinta, e muita criatividade pelas mãos dos estúdios de Jim Henson e a Industrial Light and Magic, de George Lucas. 

A tangibilidade de "Labirinto" é o que me encanta em obras deste tipo. Os personagens estão ali, você pode tocá-los, os atores não estão falando com o vazio que será preenchido na pós-produção. Em prol de um ritmo mais ágil e menos custo de tempo nas filmagens, as obras atuais estão pecando por um visual de plástico, que termina mostrando-se fake de tanto empenho em deixá-lo o mais próximo possível da realidade.

"Labirinto - A Magia do Tempo" é diversão garantida para a velha guarda e a nova geração, que poderá se interessar pelas influências sonoras e estéticas da década mais agitada da cultura pop ocidental. Esta versão inclui extras como um documentário inédito de mais de uma hora de duração com making of e entrevistas, além de trailers, e exemplos da arte conceitual de Brian Froud.

Confira abaixo o clipe oficial de "Underground", música de Bowie para a trilha sonora do filme, com a participação de alguns personagens da história! Para quem é fã ou curioso, a  página oficial do cantor no Youtube disponibilizou o vídeo com melhor qualidade de som e imagem, neste link aqui.




"Labirinto - a Magia do Tempo" e os outros títulos da coleção podem ser encontrados nas melhores lojas de departamentos e especializadas em filmes. 




DVD "Labirinto - A Magia do Tempo", de Jim Henson - Coleção Clássicos dos Anos 80
Com David Bowie, Jennifer Connelly e Frank Oz
Sony Pictures Home Brasil

Preço médio: R$ 16,90


Um comentário:

  1. Será que um remake deste maravilhoso filme seria viável? Que tal Deep como Jareth?

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