segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Por que não Lady Gaga?

Stefani Joanne Angelina Germanotta, mais conhecida como Lady Gaga, dispensa apresentações. Compositora, multiinstrumentista, cantora, performer, ícone fashion e midiático. Suas aparições regorgitam na nossa cara a velocidade e a fome pelo efêmero que desenvolvemos por osmose na era digital. Em tempos de copia-cola-recorta e mistura, Gaga oferece uma música que se utiliza das mais diversas plataformas para poder fazer sentido. Pelo menos no gênero onde se encontra.

Sejamos francos, o pop nunca se sustentou por si só. E isso não é uma crítica, é uma constatação. Embora o senso comum veja nesta estratégia um claro paliativo para encobrir a possível falta de talento, Basta olhar para Michael Jackson, Madonna, Elvis e tantos outros que possuíam algo a oferecer, mas nunca dispensaram um bom esquema de marketing. O pop é primeiramente concebido como um produto, ele está lá para ser consumido, e esperar algo diferente dele é hipocrisia.

Seus produtores observam, estudam e experimentam, tal e qual as pesquisas de mercado das grandes empresas que queimam neurônios para melhor ocupar as gôndolas do desejo dos consumidores. Mas nada neste mundo pode ser generalizado. Como objeto de estudo, este gênero musical é um ótimo retrato do contexto comportamental e econômico de uma época. Chamar o pop de inútil e vazio é subestimar nosso proprio intelecto e capacidade de observação.

Lady Gaga soube disso. Nunca escondeu que foi uma persona criada. Enquanto Stefani Germanotta, não conseguiu emplacar discos, embora sempre demonstrou ter talentos vocais e no piano. Ao adentrar no mundo dos clubs nova iorquinos, pôde absorver histórias e experiências que contribuiriam na construção da criatura mais ambígua, excêntrica e planejadamente liberta da música internacional. Lady Gaga nada mais é do que a personificação do desejo de ruptura com (pelo menos algumas) regras e convenções inertes que cada um enfrenta no dia-a-dia, em diferentes níveis e formas.


A imagem que tenho desta moça é a de uma amiga tresloucada daquelas que consegue nos tirar de casa tarde da noite para dançar ou que nos propõe fazer coisas idiotas, porém memoráveis, das quais vamos sorrir ao lembrá-las anos mais tarde. De alguma forma, sua excentricidade nos torna mais próximos dela, por mais planejada que ela seja. Vejam o caso de Madonna, especialista em se reinventar a cada disco, e ninguém nunca reclamou disso. Mas enquanto o ícone sexual do pop construiu em torno de si uma aura mais altiva e inacessível, Lady Gaga tira onda de si mesma e nos convida a rir com ela.

Não escondo de ninguém: Gosto da Lady Gaga. Por mais fabricada que ela seja, em termos musicais ela cumpre sua função enquanto performer pop. Ela diverte, ou pelo menos se propõe a isso. É o que se espera da música pop, não? Uma ferramenta fabricada para preencher nosso dia cansativo composto de um nada embalado com cores e formas atraentes. Certo? Errado. Eu poderia ser taxativo ao propor que escutassem apenas Bruce Springsteen, Bob Dylan, Chico Buarque ou Geraldo Vandré aqueles que buscam por poesia, inteligência e engajamento. Mas da mesma forma que o pop foi criado para satisfação automática de milhares, ele pode ser utilizado para plantar sementes de reflexão nas massas.

A relação de Gaga com a comunidade gay é um desses exemplos. Ou você vai dizer que não fazem o mesmo com campanhas filantrópicas tupiniquins que pegam carona no carisma dos artistas para conseguir arrecadações? Ela utiliza as armas que possui para chamar a atenção sobre questões delicadas e polêmicas, com as quais ela diz se identificar, e pelo menos faz isso com inteligência e segurança, deixando o exagero apenas para a sua música.

Talvez seja isso a razão do sentimento controverso que ela causa. Ela tenta administrar o personagem e a pessoa comum sob a capa de sua criatura multimídia. Em outras palavras, é como se duas almas ocupassem o mesmo corpo. O que vai de encontro a uma socidade acostumada com rótulos e status quo. Ou você é uma coisa, ou é outra. Seja em papéis sociais ou sexuais. O que ela diz é: "E se eu quiser ser séria sendo o que eu quiser?" E se uma mulher se sentir bem com o seu próprio corpo e sair vestindo um short e uma miniblusa? Seria justificativa para ser chamada de vadia e sofrer violência?




Stefani Germanotta, para o bem ou para o mal, está chamando a atenção para assuntos espinhosos e plantando sementes de reflexão em seus fãs e detratores. Como boa aluna da cartilha do pop, ela também não poupa ninguém.


CONCURSO TOSCO - CULTURAL

Ok, agora que já falamos sério sobre a Gaga, que tal um pouco de diversão? Para celebrar um dos discos mais falados de 2011, vamos promover um concurso de sátira mais tosca à capa de "Born this Way"! 



A imagem que ilustra o segundo disco de Lady Gaga é, na minha opinião, uma das capas mais sem noção que eu já vi na minha vida. E isso sem falar na tipografia que lembra aqueles cartazes feitos no toscoshop pela sua professora de inglês da quarta série. E já que é pra avacalhar, mostre ao mundo que você também nasceu desse jeito, e associe seu lindo rosto ao objeto que mais se adequa à sua personalidade.

A montagem mais votada vai levar pra casa um CD Born this Way! Envie sua capa para o email ladygaga@cajumanga.com até dia 30 de novembro, e boa sorte!

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