segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Te dou o caos de presente

Na última semana uma querida amiga completou mais um ano de vida nesse mundo. E apesar de estarmos numa era em que fugimos dos ponteiros para tentar congelar nossa juventude, e muitos se perguntarem por que comemorar aniversários, ela celebrou mais 365 dias de planos, vitórias, incertezas, medos, lágrimas e sorrisos. Acima de tudo, ela celebrou o fato de estar maior em aprendizado, em vida, em crescimento emocional.

Celebrar aniversários deveria ser um ato de grandeza e orgulho, afinal de contas, é mais um round vencido neste ringue, onde no fundo, no fundo, ninguém sabe nada sobre coisa alguma. Aliás, há aqueles que alcançam sabedoria por serem humildes o bastante para enxergar que nunca deixaremos de aprender com tudo e com todos. Estamos aqui para isso. A gente quer acertar. 

Assim como ela, estou tentando acertar em muitos aspectos da minha vida, e uma destas tentativas me deixou impossibilitado de lhe dar um abraço no seu dia tão especial. Mas meu carinho e respeito por ela continuaram de mãos dadas comigo por este final de semana. E eles me levaram a uma loja de discos. Fui atrás da cesta básica de todas as almas: a música. Quando tudo o mais falha, a música fala e nos liberta.

Meu coração, tão grato e honrado pela felicidade que ela me concedeu da sua amizade procurou canções que refletissem naturalmente toda esta corrente de pensamento a respeito da vida. Queria algo que fosse uma janela para tudo o que conversamos e temos de semelhante, queria algo que confirmasse que sim, todos estamos no mesmo barco e como é bom poder contar conosco neste crescimento e admitir que temos muito a aprender! 

Por isso, te presenteio Alanis Morissette e o seu "So-Called Chaos"
Este disco é de uma fase feliz da cantora, mas não menos reflexivo e honesto do que todo o resto de sua obra. Verdade seja dita, aprender com a vida é muito mais fácil com delicadeza e portas abertas pra luz entrar. 

Eu sempre admirei a Alanis por sua performance e letras intensas. Até mesmo quando ela começou a se interessar por vertentes mais leves, o seu sangue nunca deixou de ferver em suas letras. Alanis sempre foi sinônimo de vida em movimento, pra mim. Se algum dia eu tivesse uma filha, Alanis seria seu nome. Ela tem sido uma espécie de livro de cabeceira sentimental durante muito tempo. De vez em quando me pego retirando um de seus discos da prateleira como quem recorre a um velho livro para reler e reencontrar a sabedoria por vezes esquecida com as atribuições do dia-a-dia.

"So Called Chaos" pode parecer um título não tão amigável assim de relance, mas ao contrário do que muitos possam pensar, o caos deixa de ser algo ruim quando conseguimos maturidade o suficiente para aceitar que não temos o controle de absolutamente nada nesta vida. Temos planos, determinação e uma meta traçada para tingirmos nossos objetivos. Algums serão alcançados, outros não, e a gente vai levando.

O bonito da vida é aceitá-la do jeito que ela é, com imperfeições, surpresas e coisas lindas que surgem escritas de formas nem sempre legíveis, como que para nos ensinar a andar mais devagar e prestar mais atenção nas sutilezas. São elas que possuem a força da mudança, as cores da revoluções que ocorrem dentro de nós e nos movem. Engraçado como a gente não consegue aceitar as pessoas como elas são, na maioria das vezes, enquanto a entidade que nos trouxe aqui é por si só inconstante, assimétrica e cheia de altos e baixos.

Partindo deste princípio, a música "Everything" está no hall daquelas que a gente pode dedicar a alguém ou escutar como agradecimento à vida, pelas pessoas que amamos ainda permanecerem conosco apesar de tudo. 



You see everything .....Você enxerga tudo,
You see every part .....Você enxerga cada detalhe
You see all my light ..... Você enxerga toda a minha luz
And you love my dark ..... E ama a minha escuridão
You dig everything .....Você entende tudo
Of which I'm ashamed ..... Do que eu me envergonho
There's not anything to which you can't relate ..... Não há nada com que você não se identifique
And you're still here ..... E você ainda está aqui...

Este disco é parte do meu aprendizado na disciplina, resignação, compaixão e gratidão. A disciplina encontra-se em "Excuses", onde ela enumera todas aquelas frases que dizemos a nós mesmos que nos impede de alcançarmos vôos maiores.


E faz todo o sentido. Só nós temos o poder de nos colocar pra baixo. E como a gente se auto-sabota, minha amiga!

"Eu sou muito estúpida pra isso"
"Eu sou muito esperta pra isso"
"Eles não me entenderão"
"Eu estou sozinha, Eles me odiarão"
"Não há tempo suficiente"
"É muito difícil me ajudar"
"Deus quer que eu trabalhe"
"Veja, eu tenho que ter, eles querem que eu tenha"
"Eu estou muito longe de casa"
"Eu não posso decepcioná-los"
"Isto toma muita energia"
"Eu não posso deixar isto acontecer"
"Ninguém me verá mais..."

Estas desculpas,
Como elas têm me servido tão bem
Elas têm me mantido segura
Elas têm me mantido presa
Elas têm me mantido trancada dentro do meu casco...

São tantos sentimentos, tantos enigmas que se resolvem quando a música nos toca... Espero sinceramente que abraces o caos e receba a vida com um sorriso, com compaixão, com sabedoria e tranquilidade. Ao te presentear com este disco, te presenteio com um pouco do que aprendi e com a certeza de que podes contar comigo sempre que precisares.

Uma vez ouvi um provérbio cujo autor não me vem à memória agora, onde ele diz: "O melhor da viagem não é seu destino final. É a viagem em si."

Fico feliz de estarmos na mesma estrada, minha amiga. Para mim é uma honra aprender contigo, Mariana Silveira.

Feliz aniversário, feliz acúmulo de vida e souvenires de sabedoria.

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