quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Oi, São Paulo. Como vai?

Eu sabia que um dia iria te rever, São Paulo. Não sei que diabos tens que consegues exercer nas pessoas um fascínio a respeito de teus prédios, de tua gente apressada, de teu balaio cultural que engole o mundo e o cospe triturado, misturado e reconstruído com cores tão nossas.

Da última vez que estive contigo, eu vim de um sonho feliz de cidade, tal e qual Caetano, e aprendi a ver em ti aquilo que chamamos de realidade. Longe de meus pais, longe de meus mais queridos amigos, longe da minha zona de conforto. Me acolhestes num abraço agridoce, daqueles apenas cordiais, que necessitam de tempo e provas de que temos fibra para merecer a tua confiança.

Aí eu cresci por dentro, aí eu caminhei de mãos dadas, aí eu pude percerber que não és tão assombrosa como te pintam. Muito pelo contrário. A tua grandeza impõe aos teus filhos o hábito da generosidade. Por que eles sabem que se não se ajudarem, não terão força suficiente para continuar acompanhando o teu ritmo. Os corações que toquei em tuas casas me receberam de uma forma fraterna e sorridente.

Nem tudo são flores no teu jardim, reconheço. Há muito o que se podar e cuidar para que cresças bonita e justa com teus filhos. Muitos deles também precisam ser regados para que floresçam com novas idéias e cores. Mas ainda assim, és rica. Não falo de riqueza material. Falo da riqueza que trazes nas histórias de todos aqueles que te construíram, que tiveram a coragem de se integrar às tuas engrenagens, que enviaram tantas nuvens cinzas ao céu.

Será apenas uma visita prum café. Mas como será emocionante poder caminhar nas ruas em que um dia me senti inseguro, incerto, com medo, mas também cheio de sonhos e de curiosidade. Como será lindo ver o quanto crescemos, eu e você, depois de tanto tempo...

O legal de estar a caminho é me perguntar pelas tuas antigas lojas, tuas galerias, teus livros e teus discos, que me arrancam do tempo e espaço, como quem pergunta se determinado cômodo de uma casa há tempos visitada ainda existe.

Ninguém sai incólume a ti, São Paulo. Mas tu também não fostes a mesma depois de mim.

Venha cá e dá-me um abraço.

3 comentários:

  1. "A tua grandeza impõe aos teus filhos o hábito da generosidade." Coisa mais linda de se dizer de um lugar que amo tanto, meu amigo! E mande lembranças minhas a ela e diga que, em breve, estarei retornando... um beijo!

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  2. Eu amo a maneira como você escreve juli! Arraza em Sao Paulo, fotografa, edita, escreve, sonha e vive! Deprava e desbrava!

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  3. Realmente, após ler o seu texto, deu até vontade de preparar as malas e dar uma voltinha nas praças dessa cidade gigante e quem sabe até arriscar umas comprinhas na 25 de Março, e uma noitada no famoso e orgulhoso bairro da República.

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