segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Manifesto

Finalmente, encontrei tempo e espaço pra te escrever. Não se sinta negligenciado, meu bom amigo. É que a minha vida realmente esteve como um doce a ser mexido numa panela. Cada doce tem o seu ponto certo, e no meu caso, a minha escrita precisava do meu espírito marinado com todos os outros ingredientes que vieram me bater à porta nos últimos meses.

Hoje o dia amanheceu lindo, dentro e fora de mim, como há muito não amanhecia. Devo confessar que estava sentindo falta de renascer. Só experimentei algo semelhante há sete anos atrás, quando redescobri caminhos de sol depois de uma tempestade que lavou o meu coração. Aturdido por uma perda no campo do amor e uma decepção no front da amizade, eu segui a esmo, como alguém que não podia ficar trancado em casa vendo a vida através de uma janela. Com a ajuda do sol e de uma bicicleta, eu fiz um passeio que me fez um bem físico e espiritual. Foi um dia de reflexão e contemplação. Aconteceu naturalmente, e me salvou de mim mesmo, do que eu me tornei a partir de um molde das pressões e expectativas alheias.

Volta e meia, a gente se esquece do quanto somos bons, por causa do contato intenso que temos com o mundo, né? Mas como a gente não pode viver sozinho, deixá-lo entrar em nossa casa é um risco que corremos. Esse mesmo mundo que nos aplaude também tem platéia que não tá a fim de apoiar. E ela parece que nunca dorme, não nos dá folga. 

Eu não acho que as coisas devam funcionar na base das privações, testes e sapos a engolir, sob a motivação da situação ser melhor mais adiante, como uma recompensa, que nem tolos que pagam o dízimo cegamente e aceitam de bom grado todos os infortúnios que acontecem com eles, buscando motivação naquelas músicas horríveis que pregam que “o dia da vitória vai chegar”. Ah, vá se fuder, isso é justificativa pra continuar no mesmo lugar e aceitar passivamente o que nos ocorre. O paraíso somos nós quem fazemos, assim como todas as recompensas que queremos para nós.

Estou mais confiante a respeito de mim mesmo. Quanto a ouvir de fora aquilo que eu deveria ter a certeza por dentro, bem... não fomos criados para sermos sozinhos, caso contrário, seríamos todos autosuficientes e não teríamos nenhum problema emocional ou profissional. Seríamos máquinas. Por isso que até mesmo o mais confiante e ciente de seu talento precisa escutar aonde está errando, e também acertando. A vida não vem com manual de instruções. Que tenhamos todos a atenção necessária para enxergar a sabedoria todas as vezes que ela cruzar nosso caminho.

A gente pode convidá-la para caminhar de mãos dadas.

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