terça-feira, 26 de julho de 2011

Registro profissionalmente afetivo do Recife

Quando você passeia pelos lures que visita, oque consegue registrar deles? O clima soturno de alguma viela? O verde das árvores, os muros grafitados? A alma colorida das ruas, com sua gente conversando e brincando na calçada, como se desfiassem uma crônica em tempo real deste tempo que passa?

Imagino que em outros tempos, andar com uma câmera pela cidade e capturar o tempo numa lente fosse uma tarefa menos estressante que hoje, quando precisamos nos emburacar em algum local para não chamar a atenção pelos nossos cliques.

Mas ainda assim, fotografar nossa cidade e os lugares que nos conquistam não deixa de ser uma tarefa apaixonante, capaz de nos fazer esquecer do tempo. Deve ter sido assim para Cláudio Dubeux, que registrou as mudanças pelas quais o Recife passou no século 19, cujas fotos estão reunidas no livro "O Fotógrafo Cláudio Dubeux", lançado pela Companhia Editora de Pernambuco - CEPE.




Dubeux foi empresário, e um apaixonado pela capital pernambucana, que registrou praticamente todo o processo de modernização da cidade entre 1870 e 1910. As fotos que compõem o livro são da coleção do Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), que selecionou 266 das 400 fotografias produzidas pelo fotógrafo para ilustrar esta edição. A obra foi organizada pelos historiadores George Cabral de Souza e Bruno Câmara, pelo pesquisador Reinaldo Carneiro Leão, além do arquiteto José Luiz Mota Menezes, da escritora Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque e do advogado Reinaldo Carneiro Leão.



O livro foi lançado na segunda quinzena de julho (mais precisamente no último dia 20) e eu só tive a oportunidade de conferi-lo hoje. O seu destaque é justamente o Recife que não existe mais, aliada à diagramação cuidadosa que consegue causar uma estranha nostalgia em quem o folheia. E um orgulho, também. Que depois se transforma em culpa por termos uma das cidades mais lindas do Brasil que não faz jus ao seu potencial, que só precisaria de um pouco mais de civilidade por parte de seus habitantes, e ações efetivas por parte de seus administradores.

O vice-presidente do IAGHP, José Luiz Mota Menezes, declarou em recente entrevista que o livro resgata o valor do fotógrafo amador, provocando o leitor a reavaliar seus conceitos. De fato, ao passear pelas imagens de Dubeux, me perguntei: Onde termina o amador e começa o profissional, se o instrumento essencial de um fotógrafo são os seus olhos e o seu coração? 

"O Fotógrafo Cláudio Dubeux" é uma justa homenagem ao próprio e a todos aqueles cujas lentes são uma extensão de seu coração. Ao retirar o termo acessório "amador" e deixando apenas o fotógrafo, o livro celebra uma fotografia livre de quaisquer amarras, espontânea e honesta.

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