domingo, 10 de julho de 2011

Patricia Marx e a Nostalgia Musical Brasileira

Na natureza, nada se copia, tudo se transforma. Lavoisier e Lady Gaga que o digam. As referências e lembranças se tornam a base das novas criações atuais no campo das artes, especialmente a música. No Brasil, o resgate das escolas musicais de outrora se une a sons mais contemporâneos, oferecendo ao ouvinte uma estética que se assemelha a uma espiral, que renova o gênero em questão e traz as obras originais de volta às paradas, às playlists e às lojas.

Patrícia Marx é a própria encarnação da nostalgia resgatada. Cresceu no mundo da música e vivenciou toda a transformação pela qual passou a indústria fonográfica brasileira. Suas facetas incluem a estrela mirim nos anos 80 com o Trem da Alegria, a jovem sensual produzida por Nelson Motta e Max de Castro na segunda metade dos anos 90, e a cantora sofisticada, eletrônica e minimalista dos anos 2000, na então vanguardista gravadora Trama.

A cada aparição na mídia, o comentário "olha aquela menina do Trem da Alegria" estava no top 10 das frases proferidas pelo público. Talvez o sucesso obtido na sua fase infantil a marcou de tal forma que a acompanhou como uma sombra que disputava a atenção com os seus novos trabalhos.

Ironicamente, o novo disco de Patrícia Marx tem como inspiração o passado. Mas não aquele que a persegue, e sim aquele composto pelas músicas que aprendeu a escutar em casa, com a família. Este é o mote do álbum "Patricia Marx e Bruno E.", gravado em 2009, mas somente lançado em outubro do ano passado, pela Tratore distribuidora independente



Este disco marca o fim de um longo período longe da música, e foi executado pela cantora com o seu marido, o DJ e produtor Bruno E., durante dois anos. Longe das pressões, prazos e orientações musicais tão características das grandes gravadoras, o álbum foi registrado de forma acústica, bebendo da fonte sonora dos anos 60 e 70, com arranjos simples de voz e violão acompanhados de percussão, cuíca, pandeiro e arranjos de cordas, conseguindo a proeza de reunir o samba, o jazz e o folk.

Entre os destaques, estão "Carnaval de Ilusão" e "Bênçãos", que lembram muito os afro-sambas de Vinícius de Moraes e Baden Powell,  a belíssima regravação de "Passaredo", de Chico Buarque e Francis Hime, e a ensolarada "Baião de Janeiro", com um arranjo simples e delicado que nem parece ter sido gravado na era dos samplers e dos replicadores digitais. 

Mas a cereja do bolo é a música "You're Free", de pegada folk, cantada em inglês, com a participação do cantor e tecladista nigeriano Xantoné Blacq, da banda de Amy Winehouse.

Para quem comprar o Cd físico, uma surpresa: Junto vem um DVD, com um documentário, um clipe e as músicas deste novo trabalho em versões inéditas. Um presente perfeito para viajar nas décadas musicais, enquanto não inventam a máqina do tempo.

Para ouvir o disco faixa a faixa, clique aqui.

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