domingo, 24 de julho de 2011

Crônica de uma morte anunciada


Amy Winheouse, 1983 - 2011.

Amy tinha tudo para ser, tornar-se, crescer, e toda uma infinidade de verbos que possam caber no baú de seu talento. Nunca a conheci pessoalmente. Não estou aqui para julgá-la, ou tentar ponderar sobre as razões de dirigir a sua vida em alta velocidade, com direito a curvas sinuosas e constantes visitas aos altos apenas para dar mergulhos cada vez mais notórios nos baixos da vida.

Amy, assim como muitos artistas que respiravam a essência de seu ofício, talvez buscasse por algo que sua própria natureza fosse fadada a não encontrar: a plenitude. Plenitude de qualquer coisa que fosse. E isso não é algo assim tão negativo. É próprio das almas cuja sensibilidade se aflora por todos os poros. Se elas alcançam um degrau, logo estarão inquietas, curiosas, desafiando-se por este algo mais que nem elas mesmas sabem o que é.

A arte de Amy é pulsante. É viva. E ela foi vivida intensamente, seja nos dias de sol, seja na escuridão fria, onde suas lágrimas secaram por si só, sem a companhia de mãos que pudessem levá-as de seu rosto. Amy Winehouse poderia ter ficado para um cafezinho, ainda que com licor, mas infelizmente, o vagão da montanha russa que ela dirigia estava chegando à sua reta final.

Pelo menos ninguém pode duvidar que ela saboreou cada conquista e cada dor da forma mais palpável que ela pudesse experimentar. 

Amy viveu. E é isso o que importa.


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