terça-feira, 19 de julho de 2011

Grande Sertão Veredas


Ao contrário do que muita gente pensa do sertão, ele não é seco o ano inteiro. A prova disso é o inverno que nunca me foi apresentado até então, e que só se encontra nos lados de lá. O inverno do sertão é colorido, é rico, possui todos os tons, cheiros, gostos e cores impossíveis de catalogar no pequeno espaço da nossa mente.


Igrejas convivem lado a lado com lendas que se manifestam e permanecem vivos passando de boca em boca, geração a geração. Aqui o universo é mais vasto e autônomo. O inexplicável e o abstrato também são moradores deste território e assim permanecem. Não dão satisfação aos seus vizinhos. Eles simplesmente existem e se cruzam para perpetuar o imaginário popular.


Meu pai aos vinte anos de idade, foto do baú da família.

No sertão, a santa desce à terra e a Comadre Florzinha castiga quem se mete à besta no canavial ou no roçado de milho durante à noite. No sertão, a medicina da alma é tão poderosa quanto a dos compostos químicos. No sertão se reza, se conjura, se canta. No sertão, tudo é maior e o céu nos mostra o nosso devido lugar.



No sertão se conversa na calçada até altas horas da noite. No sertão a gente entra na casa do vizinho para um papo movido a bolo com café. No sertão a gente anda mais e come menos besteira. No sertão somos ensinados pela vida que somos parte de tudo isto que nos rodeia.



No sertão os mais velhos são mais respeitados e nos contam histórias. No sertão se tem todo tipo de reza. Pra coisa e pra coisas ruins. Praquilo que se quer e praquilo que não se explica. Na minha parca crença, nos meus simples desejos, tudo o que peço na minha reza é que o sertão viva pra sempre verde, azul, vermelho e amarelo, rico e simples, silencioso e barulhento, mas acima de tudo, o sertão que eu vejo e sinto da janela do meu coração.
















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