quarta-feira, 27 de julho de 2011

Quando o amor fotografa o tempo e a cidade

Engraçado como somos hóspedes do tempo. Nossas cidades, nossas praças, nossas ruas e nossas pontes não são nossas. Podemos até fazer benfeitorias nas nossas vielas, nas calçadas, nos jardins, (ou não), mas o que fica é a nossa história. Estes lugares são uma crônica de nossos dias, e se pudermos parar para respirar e contemplar o encontro do novo com o antigo, veremos que eles estão de mãos dadas para construir a eternidade que ocupará nossas memórias. 

Olhar o trabalho do fotógrafo Cláudio Dubeux, como comentei aqui, me fez lembrar do quanto esquecemos de nossa capacidade e talento para guardar coisas boas. Só depende dos nossos olhos e da nossa sensibilidade, além de disposição para bater pernas e declarar nosso amor pelo nosso tempo.





Tirar um dia para andar a esmo por nossas cidades nos dá uma dimensão da grandiosidade e da finitude de tudo. Quantas vezes pudemos parar para imaginar as milhares de histórias que foram construídas à sombra das velhas árvores, no segredo enfumaçado do fundo dos bares, no mar de lençóis com vista para o rio que corta a cidade (ou seria a cidade que invade estas águas?)



O povo é uma atração à parte. Feliz do povo que respeita e celebra sua história, sem esquecer de plantar um futuro bonito. Eu gosto do meu povo. Eu sou parte dele. Tenho muito orgulho de pisar o mesmo chão que estas pessoas fantásticas pisam.




Amar sua cidade é amar a si próprio, é querer procurar os passos retroativos de sua história, é se preocupar com o futuro de seu cenário, é querer abraçar tudo que você viveu e tentar preservar o máximo possível de tudo isto para que as próximas gerações possam ter o gosto de saudade que resta em nossos lábios cada vez que pronunciamos o nome do nosso lugar.



Eu sugiro isto para aqueles que acham que o tempo passa rápido demais: Leve uma câmera consigo em suas andanças. Descubra. Registre. Contemple. Estes três verbos são um santo remédio para aqueles que desejam ampliar os horizontes do coração e da mente. Ame e cuide do seu tempo.


Um comentário:

  1. Seu post me fez lembrar um trecho muito interessante do livro mundo de Sofia. Quando ao citar o filósofo Spinoza, ele fala de como nossas vidas são breves, e que a mais simples da coisas perdurará mais que todos nós.Ele usa um simples exemplo de uma boneca de porcelana do sáculo xvii que está aqui até hoje, enquanto sua dona...

    Seus textos são deliciosos de ler. Amo e aguardo ansiosamente toda atualização do Cajumanga.

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