terça-feira, 12 de julho de 2011

Abrasileirando o jazz com Jane Monheit


Jane Monheit é uma dessas artistas que mais parecem pedras preciosas que ainda não foram catalogadas pelo homem. Você sabe que ela existe, mas nunca a encontrou de verdade. E quando a encontra, se surpreende e se pergunta por que mais pessoas não tiveram a oportunidade de presenciar o seu brilho único.

Jane Monheit é norte-americana, e começou a enveredar pelo jazz aos dois anos de idade, segundo reza a lenda familiar: As primeiras músicas cujas melodias ela balbuciou foram "Over the Rainbow" e "Honeysuckle Rose". Aos dezessete, resolveu apostar neste gênero, após anos estudando clarinete e teoria musical. Crescendo numa família que exalava música pelos poros fez com que Jane mergulhasse fundo na carreira. Sua tia e sua avó eram cantoras profissionais, sua mãe atuava em musicais, seu pai tocava banjo e seu irmão mais velho é guitarrista.

Com sete discos de estúdio, um ao vivo e um greatest hits gravados em dez anos de carreira, Jane Monheit vem pavimentando o seu caminho musical arrancando elogios de crítica e de público em performances que são sucessos mundiais. Apesar de se valer de um repertório marcado pelo equilíbrio entre a emoção e a técnica, e de estar acompanhada de instrumentistas impecáveis, ela já está devidamente posicionada no panteão das divas do jazz contemporâneo, embora ainda não tenha se tornado um ícone facilmente lembrado e reconhecido como suas colegas Diana Krall e Norah Jones.


O som de Jane Monheit é jazz e ponto final. Ela não promove nenhuma tentativa de revisitar o gênero, nem tem a intenção de concorrer às paradas de sucesso. Ela prefere desenvolver seus discos na calma daqueles que se preocupam em contemplar a música ao mesmo tempo em que a desenvolvem.

Dona de uma voz que lembra as cantoras do rádio da década de 50, Jane possui um timbre intenso, que cai muito bem em interpretações mais melancólicas, com uma grande carga dramática, digna das grandes canções de corações partidos que acompanharam taças de vinho e meia luz ao longo das décadas.




Mas nem só de fossa e arranjo de cordas vive o jazz: os ritmos brasileiros, em especial a bossa nova, são velhos namorados de Jane Monheit, que traz o frescor e a leveza dos trópicos para as interpretações da cantora. Seu disco "Surrender", gravado em 2007, era totalmente voltado às raízes brasileiras, com clássicos do jazz arranjados com nuances bossa-novísticas e toques de samba ao violão, além de músicas consagradas da MPB cantadas em inglês e português.




Seu último disco lançado no Brasil foi "The Lovers, the Dreamers and Me", que chegou às lojas no final de 2009, mas com pouca divulgação. O álbum é daquelas obras que merecem ser garimpadas nas suas próximas compras. O repertório do CD chama a atenção pelo ecletismo, que além dos standards do jazz, abre espaço para composições inéditas de artistas do universo pop rock. Lá você vai encontrar a nova composição de Fiona Apple, "Slow like Honey", "I do it for your love", do sempre eficiente Paul Simon, além da britânica Corinne Bailey Rae, com a sua "Like a Star".

Entre as jóias do jazz, os destaques são "Get out of town", de Cole Porter, e "I’m glad there is you", da dupla Jimmy Dorsey e Paul Metz, responsável por inúmeros sucessos da era das big bands.

Do lado brasileiro, temos "No Tomorrow", a versão em inglês de "Acaso", composição de Ivan Lins, presença constante nos discos da moça, ora em duetos vocais, ora apenas nas letras. Monheit também mostra que sabe cantar em português (ainda que com um leve, mas charmoso sotaque) em "A primeira vez", samba de Bide e Marçal, e mostra que entre todas as intérpretes de jazz que se aventuram a interpretar canções em português é a que melhor se sai com o idioma pouco conhecido. O resultado é uma versão intimista do samba, bem ao estilo voz e violão, mas com um balanço gostoso, marcado pelo violão do brasileiro Romero Lubambo, instrumentista que já tem participações em shows e outros discos da cantora e se transformou numa espécie de queridinho das novas divas do jazz.

Lubambo é o responsável pelos arranjos de "No tomorrow" e "A primeira vez", uma garantia de música brasileira apresentada de maneira correta, sem extravagâncias ou exotismos baseados em ritmos caribenhos, como é comum nesses casos. E, justiça seja feita, Jane Monheit trata a MPB com respeito e sensibilidade.

Ouça "A Primeira Vez", na voz de Jane Monheit:



Ficou louco pelo CD da Jane? A Cajumanga te dá uma força pra faturar a edição brasileira do CD "The Lovers, the Dreamers and Me"!!

Basta seguir a gente no Twitter e dar um RT na mensagem "Eu quero ganhar o CD da #JaneMonheit q a @cajumanga tá sorteando!"

Um comentário:

  1. Opa, tudo bem?

    Parabens pelo blog. Leve, simples e direto. Gostei muito dos textos. Parabens!

    A Jane Monheit é sensacional mesmo. Ultimamente ela anda fazendo parceria com a uma cantora brasileira chamada Patricia Talem.

    As duas cantam no novo clipe da Patricia, na musica 'Nascente'. As duas fazem lindos duetos em portugues e inglês.

    Link do Making of de 'Nascente', novo clipe da Patricia Talem: http://www.youtube.com/watch?v=EP3UMiqp6tg&feature=channel_video_title

    Também participaram do programa do Ronnie Von na TV Gazeta: http://www.youtube.com/watch?v=o4cyYwVCJHY&feature=relmfu

    http://www.youtube.com/watch?v=o4cyYwVCJHY&feature=relmfu

    É isso!
    Grande abraço,
    Caio.

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