sexta-feira, 17 de junho de 2011

Plástico, pra quê te quero?

Quando você pensa em plástico, o que você vê ao seu redor? Tido como um dos maiores vilões do meio ambiente nas últimas décadas, o plástico tem sofrido um revés (pelo menos ideológico) no cenário mundial, por entre outras coisas, ser um produto que leva cerca de 100 a 300 anos para se decompor. Mas como nada acontece por si só, a grande quantidade de plástico desperdiçado em aterros sanitários e encontrados ao longo de ruas, rios e águas marítimas envolve toda uma cadeia de produtores e consumidores que possuem uma parcela de culpa no atual estágio de impacto causado pelo material.

O plástico possui pontos positivos e negativos como qualquer outro tipo de material, o problema está no uso que se faz dele. Um de seus derivados que possuem maior destaque são as sacolas plásticas, presentes em qualquer cenário urbano que se preze. Foram inventadas em 1862, recebidas de braços abertos pelo comércio por conta de sua praticidade e custo de produção baixo. O seu auge, no Brasil, foi durante os anos 80, em meio à onda descartável que tomou de assalto o mercado de varejo.

Há quem consiga outras utilizações às sacolas, garantindo uma vida útil maior e menos desperdício e poluição. Elas podem servir para transportar outros objetos que não sejam a feira do supermercado, podem contribuir na separação de restos de alimentos, de tipos diferentes de lixo para coleta seletiva, etc, etc, etc. As alternativas são muitas. O problema é que 80% das sacolas são utilizadas apenas uma vez, e depois descartadas.


Desde a sua invenção, o pĺastico ainda não recebeu uma solução adequada à sua decomposição. Em outras palavras, O homem apenas soube criá-lo sem pensar nos desdobramentos de seu uso a longo prazo. Ou seja, todo e qualquer plástico já produzido pelo homem que não tenha se decomposto ainda está circulando pelo planeta, mesmo que tenha sido picotado em milhares de pedaços. Estes mesmos pedaços também demorarão para se desintegrar.

Indústrias deste setor produzem a nível global, 500 bilhões de unidades a cada ano, ou seja, 1,4 bilhão por dia ou ainda, 1 milhão por minuto. Aqui no Brasil, 1 bilhão de sacolas são distribuídas pelos supermercados todos os meses. Tendo as redes de varejo como alvo principal, 13 capitais brasileiras possuem leis em vigor que limitam ou proíbem a utilização de sacolas plásticas em estabelecimentos comerciais.

Mas e os produtores de plástico, o que pensam disso tudo?

Em Pernambuco, representantes das indústrias de transformação do plástico reuniram-se nesta quarta-feira (15) na sede da Fiepe, para discutir os principais desafios do setor na atual fase de crescimento industrial do estado, em um evento promovido pelo Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado de Pernambuco – SIMPEPE. O destaque do encontro foi a apresentação do Programa de Qualidade e Consumo Responsável de Sacolas Plásticas.

De acordo com a proposta apresentada, as empresas do setor devem estar atentas à três demandas urgentes do mercado: Normatização e certificação, para oferecer produtos mais resistentes; educação e informação, para formar consumidores mais conscientes, combatendo o desperdício; e viabilidade econômica aliada a planejamento e pesquisa, para garantir o bom funcionamento da cadeia produtiva.


Francisco de Assis Esmeraldo: Mudança de atitude não adianta sem reeducação do consumidor.

Segundo o palestrante Francisco de Assis Esmeraldo, diretor de relações institucionais do Instituto Nacional do Plástico (INP) e da Plastivida - Instituto Sócioambiental dos Plásticos, “o principal benefício do cumprimento das normas técnicas é a redução de custos e do impacto ao meio ambiente, evitando o desperdício que assistimos ao longo dos anos, quando clientes de supermercado utilizavam um elevado número de sacolas para carregar um determinado peso.”

Boa parte desta polêmica em torno das sacolas remete à concorrência acirrada entre as empresas fabricantes, com grandes redes de supermercados colocando mais lenha na fogueira para ver quem fornece mais por menos. Com a demanda por preço baixo, a qualidade dos artefatos também foi caindo. Quem nunca usou mais de uma sacola plástica para carregar apenas uma garrafa pet com dois litros de refrigerante?

Portanto, toda a cadeia produtiva e consumidora das sacolas plásticas têm suas parcelas de culpa na atual situação em que o material se encontra. Não é a ele que devemos olhar com cara feia, mas todos que participam do seu ciclo de utilização. Afinal de contas, o ser humano vive por décadas e décadas com o plástico, passando por utensílios hospitalares como bolsas de soro e de sangue, seringas descartáveis, como partes da estrutura de automóveis, computadores, vasilhames para a cozinha, canetas, acessórios de moda... Isso sem falar na praticidade das sacolinhas, que atendem 80% das pessoas que vão às compras a pé ou de transporte coletivo. A lista é grande.

Os fabricantes estão agora empenhados em produzir sacolas mais resistentes a fim de evitar o uso em excesso, reduzindo a quantidade com o tempo, além de promover ações educativas sobre consumo responsável, coleta seletiva, reciclagem e a utilização dos plásticos para a geração de energia. Segundo dados da associação Brasileira da Indústria do Plástico - Abiplast, com a normatização adotada pelas grandes empresas na fabricação de sacolas, o número de delas vem caindo ao longo dos anos. Com mais qualidade, menos necessário será o seu uso excessivo, gerando mais economia e menos impacto ao meio ambiente.

Em 2007, cerca de 17.9 bilhões de sacolas foram distribuídas. Em 2010, este número caiu para 14 bilhões, com uma estimativa de alcançar uma redução na casa dos 13.2 bilhões de unidades até o fim de 2011.

E as sacolas oxidegradáveis? Segundo os especialistas, embora elas se desfaçam mais rápido que as comuns, as substâncias presentes em sua composição, que contribuem para uma rápida degradação podem continuar contaminando o ambiente pela presença dos catalisadores derivados de metais como níquel e manganês.

A questão do plástico envolve todos nós. É preciso informar-se e praticar um uso mais consciente e responsável. E você, o que tem feito com o plástico?

3 comentários:

  1. Sem dúvida é um problema muito sério, e um desafio em um mundo que pretende ser sustentável.

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  2. É isso aí juliano! é de pessoas com consciência ambiental que o nosso país precisa. Adorei sua postagem...

    BEIJOS

    TATHI

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  3. Só para descontrair...Sugiro que da próxima vez ao invés de "plástico pra que te quero"...Você inclua "plástica prá que te quero" e exiba fotos de umas mulheres bem barangas! háháháhá

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