quarta-feira, 22 de junho de 2011

Mercado da moda ganha novo impulso com bazar

Ah, o bazar. Para quem está chegando na casa dos trinta, esta palavrinha remonta às feiras públicas com raízes orientais, geralmente repleta de compradores e vendedores que trazem os produtos mais diversos a preços bastante acessíveis, onde o inusitado e o retrô se encontram, numa sinfonia de vozes que se misturam entre a negociação e a euforia dos caçadores de peças raras e pechinchas.

A origem do bazar está nas raízes culturais da Pérsia (atualmente conhecida como Irã), cujo povo era bastante conhecido pelo talento para o comércio, sendo famosos pelos mercados e feiras, desde o século 600 a.C.

Com o passar do tempo, o bazar se adaptou às diversas culturas mundo afora. Aqui no Brasil, o formato original deste tipo de feira foi bastante disseminado, mas sofreu mudanças com o tempo. Nos últimos anos, ele vem sendo facilmente encontrado em eventos beneficentes, onde geralmente são expostos produtos exclusivos, cujo valor ajudaria na arrecadação de fundos para uma determinada causa. Nestes casos, os preços convidativos e as pechinchas passavam longe.

Mas eis que a globalização mudou a maneira como lidamos com a economia e com a criatividade. A tecnologia diminuiu fronteiras e expandiu as possibilidades de ter o nosso trabalho exposto. Todos agora têm chance de ter o seu talento reconhecido.

Mas agora, o problema: Há muito talento para escoar, e poucos são os espaços disponíveis. Qual a solução da geração digital? O bazar! Quem diria que aquela palavrinha antiga, criada pelos mestres do comércio no Oriente Médio seria tão eficiente hoje quanto naquela época?

Uma prova de que os bazares estão de volta, repaginados e adaptados à nova realidade global, é a utilização deste modelo de vendas no segmento da moda, como uma solução para atender à demanda de vários criadores que não tinham onde escoar o seu talento.


Emeline Soledade, Carolina Verdussen e Amanda Alcântara: Empreendedorismo Fashion

O Bazar Club, promovido pelas designers de moda Amanda Alcântara, Carolina Verdussen e Emeline Soledade, é um exemplo bem-sucedido desta retomada. Com o foco em criadores e pequenas marcas que ainda não possuem espaço fixo de vendas, a idéia consegue reunir num só lugar cerca de 31 expositores, distribuídos entre os mais diversos nichos do mercado fashion, desde calçados, passando por acessórios e cuidados com a pele, unha e cabelos, até mesmo papelaria e outros artigos feitos à mão, bem ao gosto de um público exigente e extremamente conectado às últimas tendências.

A edição mais recente foi realizada no bar Dona Carolina, no bairro de Boa Viagem, zona sul do Recife. A escolha do local não foi por acaso. Enquanto elas circulavam entre as araras, eles aproveitavam a cerveja gelada e alguns dos petiscos mais elogiados do circuito de bares e restaurantes da cidade.

As organizadoras acertaram em cheio ao proporcionar conforto e comodidade a dois públicos que são praticamente água e vinho. "Mulher é mais detalhista e sensível para estas coisas. Gostamos de olhar, perguntar, provar, pedir opiniões, e comparar até chegarmos a decisão final. Homens são mais diretos nas compras e geralmente não têm o nosso pique", afirma Cecília Duarte, que às 6h da tarde já acumulava quatro sacolas.


Mas o inesperado aconteceu: Muitos dos maridos, amigos e namorados que acompanhavam as consumidoras terminaram por visitar a feira, e até perguntaram por peças masculinas!

Entre os representantes da ala masculina que circulavam no bazar, estava Maurício Campelo, 27 anos, que achou a iniciativa positiva. “Creio que moda não é algo tão fútil como muita gente pensa. Eu mesmo, apesar de não ser especialista no assunto, sei que é necessária uma certa noção visual na hora de nos apresentarmos ao mundo”, afirmou. Como ele sabe disso? Sua namorada, Prsicilla Lucena, 25 anos, era uma das expositoras, que disse não interferir nos looks do amado: “Ele tem bom gosto, nem me dá oportunidade de dar pitaco, mas no fundo, no fundo, creio que a convivência comigo, que respiro moda, deve ter contribuído um pouco com o estilo dele”, afirma.


Priscilla Lucena e Mauricio Campello: ela cria, ele aprecia 

Para os expositores, estar presente num bazar é importante na ampliação de seu público. Que o diga Monica Lira, da Boutique de Unhas, presente com um stand repleto das últimas novidades em cores e texturas de esmaltes. "Já participamos de vários bazares, e pra gente, quanto mais diversificado o público, melhor. Atingimos uma variedade maior de perfis de consumidores, ao mesmo tempo que ajuda a massificar nossa marca.

Monica Lira - O bazar amplia o campo de ação das marcas

As amigas Graziela Silva e Andréa Medeiros, acham que eventos como o Bazar Club são perfeitos para as pessoas que buscam compor um visual original. Para quem expõe, é uma porta aberta para novos contatos e oportunidades de crescimento pessoal e profissional. "Em eventos assim, principalmente nos voltados ao design de moda, temos a chance de encontrar aqueles itens apaixonantes e difíceis de encontrar nas lojas comuns", afirma Andréa.


Andréa e Graziela: Troca de idéias é beneficiada

De fato, o principal atrativo do bazar são os produtos oferecidos. Segundo Amanda Alcântara, para o Bazar Club foram convidados criadores que praticassem um design inovador, dispostos a apresentar suas peças ao público, tendo o preço diferenciado como cartão de visitas. "Aqui você pode encontrar peças com cerca de 30% de desconto, aplicado até mesmo em algumas criações exclusivas, dependendo do expositor, algo que não é muito praticado pelas lojas que oferecem peças únicas.


Lídice Moutinho: o consumidor é quem dita as tendências

A empresária e designer Lídice Moutinho era uma das visitantes que aprovaram o Bazar Club. Ela é tão fã deste estilo de compras, que também organiza bazares junto com outros criadores. O seu Bazar Mix, realizado bimestralmente, já está na 5ª edição e confirma esta tendência. "Todos aqui estão de parabéns. Eu sou totalmente a favor de iniciativas assim para sacudir o mercado da moda, e o bazar cumpre o papel de lançar tendências e promover o encontro entre produtores, estudantes e consumidores, dando a oportunidade aos empreendedores de conhecer melhor o que as pessoas desejam consumir.", disse.


Esta edição do Bazar Club apresentou 31 expositores, e até o final do domingo, já contava com mais dez outras marcas interessadas em participar da próxima edição, que as organizadoras esperam poder realizar daqui a quatro meses. Enquanto isso, o mercado da moda e os consumidores agradecem a iniciativa.

Para mais informações e datas dos próximos bazares, acompanhe:

4 comentários:

  1. Parabéns pela iniciativa!!!

    Abs,

    Marcia Medeiros
    DiVolare Cosméticos.

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  2. Como eu não soube disso?????? Amo um bom bazar...

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  3. Parabéns pela matéria Juliano!!! Excelente sua abordagem sobre Bazares em Recife,como uma nova forma de revelar novos talentos e divulgar o trabalho da gente empreendedora de nossa terra.
    Beijo grande.

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  4. Legal essa postagem!!!ótima iniciativa para divulgar novos talentos!
    Um abraço!Assim que puder visita o meu blog... Beijos! Tathi

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