quarta-feira, 25 de maio de 2011

Morte e renascimento da mídia na era dos blogs

Blogueiro. Uma palavra que suscita inúmeras discussões, incorporada ao vocabulário da geração que tornou-se digital no final do século vinte, e que hoje absorve a internet e suas possibilidades de comunicação como algo intrínseco à vida.

Antes, o significado deste vocábulo funcionava como um classificador simplista de espécie, como aquelas palavras que são utilizadas para separar tribos urbanas por estilo musical ou de vestuário. Blogueiros não passavam de meros detentores de blogs, serviços de sites oferecidos gratuitamente por companhias de internet, com espaço ilimitado para a transmissão de dados, que no início eram mais utilizados como diários pessoais, e pronto.

Com o passar dos anos, esta classe foi acumulando diversas nuances, e o que era simples, agora adquire formas mais complexas e diversificadas no seu significado e aplicação. O ato de escrever adquiriu novos contornos à medida em que a tecnologia presenteava os internautas com novos recursos que os permitiam mesclar informações textuais, sonoras e visuais, além de mecanismos que facilitavam a interação entre si. A partir deste momento, "blogueiro" deixou de ser uma simples classificação para se tornar uma nova categoria ativa no processo de mutação da comunicação contemporânea.


Os blogueiros saíram do campo das idéias e se materializaram, adquiriram consistência e conteúdo. O atual estágio da comunicação nesta era digital fez com que esta categoria deixasse o mundo das idéias e passasse a existir de fato. Em outras palavras, eles agora são tão carne e osso quanto os outros membros que compõem a engrenagem da informação.

Embora não sejam regularizados, nem necessitem de diploma ou vínculo com alguma instituição, esta turma veio comendo pelas beiradas e hoje circula entre aqueles que trabalham com a informação por diploma e prática. Aliás, a prática tem sido a delineadora dos rumos que a plataforma dos blogs vem tomando: Iniciar um é muito fácil e está ao alcance de qualquer pessoa com acesso a internet. Mas manter um blog é o que faz o diferencial. A prática será o fator que separa o joio do trigo, moldando esta nova categoria de (ainda que não profissionais) agentes ativos da comunicação.

Para debater esta nova realidade, o Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, em parceria com a Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid), promoveu na última semana, nos dias 20 e 21 de Maio, em João Pessoa, na Paraíba, e em Olinda, Pernambuco, o I Encontro de Blogueiros e Redes Sociais das duas cidades. A etapa pernambucana teve a participação do jornalista Paulo Henrique Amorim, que debateu acerca da importância de se estabelecer no Brasil uma mídia mais independente, como um dos caminhos a ser utilizado na luta pela democracia.





De acordo com uma pesquisa divulgada pela ComScore, empresa especializada em estudos de planejamento, segmentação e benchmarketing, 71% dos internautas brasileiros acessaram blogs no ano de 2010. A força desta plataforma mostrou-se ainda mais forte no período eleitoral, onde sites de veículos consagrados na mídia tradicional brasileira foram ultrapassadas por alguns blogueiros, altamente integrados às ferramentas de redes sociais, que foram cenário para debates calorosos acerca do desempenho e da política proposta pelos partidos e seus candidatos. Isto mostra uma mudança na postura do público em sua busca por informação.

Esta categoria se mostra cada vez mais articulada, provocando discussões acerca do futuro dos veículos de comunicação como os conhecemos. Enquanto isso, a mídia tradicional se desdobra para se adaptar às novas linguagens e à flexibilidade da mídia digital, onde usuários moldam o conteúdo à sua comodidade, e o disseminam para múltiplos canais.

E você? Como está a sua relação com as formas tradicionais de obtenção de informação e as novas possibilidades da era digital? Com que frequência você lê jornais ou acessa sites e blogs?

Assista o vídeo, dê a sua opinião e compareça aqui no próximo post, onde teremos a segunda parte da palestra de Paulo Henrique Amorim, além de depoimentos do jornalista Altamiro Borges. 

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