quinta-feira, 19 de maio de 2011

O coco visto com outros olhos

Quem mora em Olinda e tem a oportunidade de frequentar as manifestações populares que tomam a cidade como palco para a perpetuação de suas raízes culturais, já pôde apreciar ou já ouviu falar das festas de Coco. O coco está entre as mais tradicionais danças que compõem a cultura de Pernambuco, unindo influências africanas e indígenas, se desdobrando em vários estilos, entre eles, o Coco de Roda, de praia, de salão, de rojão, de furada, e de umbigada.

Definir o coco é tarefa tão árdua quanto apontar a sua origem. Muitos o chamam de ritmo, outros de dança, outros de gênero musical. Alguns estudiosos afirmam que ele nasceu nos engenhos e depois migrou para o litoral. Outros dizem que nasceu e cresceu na praia, justamente pela presença maciça dos coqueiros ao longo da costa.

Mas o que ninguém discute é que ele se originou como um canto entoado pelos tiradores de coco. As suas variações ocorrem dependendo da localidade onde o coco se manifesta. Podem ser diferenças na métrica dos versos, na dança, ou em algum instrumento. No geral, o bom coco inclui membros em fila ou em rodas, onde executam os passos básicos, respondendo em coro aos cantos dos mestres, marcando o ritmo com palmas.

O coco une a espontaneidade do improviso com a tradição das canções passadas de geração em geração. E é esta herança que serve de tema para a exposição fotográfica "Coco do Amaro Branco - Retratos", do fotógrafo Emiliano Dantas, com abertura neste domingo 22/05 às 16h, no Museu da Abolição, no bairro da Madalena, em Recife.


O primeiro dia da exposição conta também com o lançamento de um catálogo com 16 fotos de caráter etnográfico dos membros do Coco do Amaro Branco. A etnografia tem o objetivo de compreender as crenças, os valores, os desejos e os comportamentos dos indivíduos a partir de uma experiência vivida. Ou seja, o estudioso convive com o seu objeto de estudo para melhor absorver a vivência que se desenrola à sua frente. Desta forma, ele pode entender as referências com as quais estes indivíduos ponteiam a sua visão de mundo e suas ações.

As fotos são apresentadas com o objetivo de ser uma memória viva dos integrantes do Coco do Amaro Branco, alguns com mais de 80 anos. Para quem aprecia colecionar este tipo de material, uma boa notícia: O catálogo com as fotografias da exposição será distribuído gratuitamente na abertura, além de ser doado para instituições públicas e órgãos ligados à cultura, como escolas e bibliotecas, entre outros.

O trabalho de Emiliano Dantas segue pelo caminho inverso da tendência folclórica de abordagem a folguedos populares. De acordo com o fotógrafo, as imagens deste seu trabalho são retratos "por que valorizam as pessoas fotografadas, mostrando o seu rosto sua imagem de forma mais universal. Resolvi também não trabalhar os símbolos associados ao coco para que não caísse na armadilha da folclorização dos personagens”. O resultado é um registro honesto da essência destas pessoas, e não dos estereótipos que compõem a imagem construída delas.




A exposição segue até o dia 4 de Setembro e tem apoio do Funcultura, Fundarpe, Secretaria de Educação, Governo do Estado, Sistema Brasileiro de Museus, Instituto Brasileiro de Museus, Museu da Abolição, Ministério da Cultura e Governo Federal. A abertura no dia 22/05 também contará com a apresentação musical do Coco do Amaro Branco.


Coco do Amaro Branco - Retratos, de Emiliano Dantas
Abertura: 22/05, às 16h.
Museu da Abolição - Rua Benfica, 1150 - Madalena
Recife - PE
81 - 3228-3011

Um comentário:

  1. Maravilhosa matéria, sempre vindo de voce tudo vira ouro. Parabens pelo site, tá mara...
    UM grande abraço cultural. JeffCelophane

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