terça-feira, 12 de abril de 2011

Projeto Peixe-Boi alia ciência ao turismo

Falar de turismo no Brasil parece fácil, frente às exuberantes riquezas naturais que (ainda) possuímos para nos orgulhar. Mas ao deixar esta visão geral para chegar mais perto, tomamos consciência de que os problemas existentes neste setor também possuem dimensões continentais como o país. A raiz de todos os problemas reside num só: A fraca política de educação e o profundo abismo social que surge como consequência deste problema, aliado à uma ineficiente distribuição de renda que impede a população de obter os seus direitos e contribuir com o crescimento do país.

Senão, vejamos, qual o sintoma mais gritante deste cenário senão a existência do turismo predatório? Os anos passam, e continuamos assistindo veranistas e os próprios cidadãos dos pólos turísticos cavando a cova daquilo que poderia ser preservado como um de seus maiores trunfos para o desenvolvimento e importante herança para as gerações futuras. A poluição e o descontrole de um mercado imobiliário faminto, que conta com apoio nas engrenagens do poder para abocanhar novas fatias do que ainda não está saturado, contribui para a infiita sequência de tiros que um país pode dar em suas próprias pernas.


Felizmente, Existem espaços reservados em diversos pontos do país que desenvolvem um trabalho de pesquisa e preservação, contribuindo para o turismo na forma de educação direcionada tanto aos nativos quanto aos visitantes do local. Em Pernambuco, isto pode ser constatado na Ilha de Itamaracá, no litoral norte do estado, onde uma importante espécie da fauna brasileira é preservada, numa rotina constante de aprendizado e luta: O peixe-boi marinho, que até o século 19, existia na casa dos milhares, do Espírito Santo até o Amapá, sucumbiu à caça indiscriminada que visava aproveitar o seu o óleo, a carne e o couro resistente. Como este mamífero aquático é uma espécie mansa e dócil, se tornava uma presa fácil para seus caçadores. Para piorar mais a sua situação, a fêmea do peixe-boi tem apenas um filhote a cada três anos, o que torna difícil a tentativa de repovoamento destes animais.

Atuando Há 30 anos, o Projeto Peixe-Boi atua nas principais praias do nordeste, catalogando, tratando e monitorando os animais que ali chegam com a saúde debilitada, para que possam ser reenviados ao seu habitat natural. Além disso, também há a reprodução em cativeiro, contribuindo com a continuidade da espécie, e uma atuação em conjunto com a comunidade de pescadores das imediações, que contribuem com o trabalho dos pesquisadores e estudantes que se estabelecem nestes centros.

Na ilha pernambucana, sede do projeto desde 1994, pesquisadores e estudantes na área de biologia e veterinária têm a chance de observar o comportamento, a alimentação e fisiologia, além de realizar estudos médico-veterinários, sangüíneos e genéticos. Nos oceanários deste centro diversas conquistas foram alcançadas, como o nascimento do primeiro filhote de peixe-boi em cativeiro da América Latina, em 1996. Era Xiquito, filho de Xica, que passou mais de 25 anos num pequeno tanque na Praça do Derby, centro do Recife. Em abril de 1997, outro fato inédito até então: o nascimento de gêmeas.


A experiência em Itamaracá rendeu conhecimento e condições suficientes para que os seus oceanários recebessem outros mamíferos que encalham na costa nordestina, como focas, leões-marinhos e morsas, até mesmo baleias! Desde a sua fundação, o centro de Itamaracá já devolveu à natureza 25 peixes-boi, em dez eventos de reintrodução. Destes, 10 são monitorados pelas equipes que se estabelecem no projeto. Para quem visita estes simpáticos animais, o passeio tem um sabor especial: além de chegar bastante perto deles, um museu com fósseis, palestras exposições fotográficas e até um cinema em forma de peixe-boi são oferecidos, tornando a conscientização a respeito da preservação da espécie um aprendizado divertido e dinâmico.





A estudante Darlene Ribeiro encantou-se com o centro e recomendou a visita a todos os educadores: "Eu não fazia idéia da situação destes animais até vir para cá. Este tipo de ação realizada aqui, assim como a chance que eles dão ao público de saber o que está ocorrendo na natureza e o que está sendo feito de fato, é de suma importância na construção de um caráter mais consciente de que fazemos parte de um todo que precisa ser cuidado. Voltarei aqui mais vezes e recomendo a todos."

O centro do Projeto Peixe-Boi em Itamaracá funciona durante todos os dias de Janeiro e Fevereiro, das 9:00 às 17:00h.

No resto do ano, o funcionamento é reduzido de Terça à Domingo, das 9:00 às 16:00h. Preço: R$ 10,00




Localização e contatos:
Estrada do Forte Orange, s/ número, Ilha de Itamaracá/PE
Caixa Postal nº 01 / CEP: 53.900-000
Telefone: (81) 3544.4937 / 3544.1056


Texto e fotos:
Juliano Mendes da Hora


Confira mais fotos:








Nenhum comentário:

Postar um comentário