quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

DA PIADA CIBERNÉTICA AO LIVRO

O ano de 2010 sedimentou definitivamente o uso das mídias sociais na internet brasileira. Dos blogs, passando pelas contas de YouTube, do ultra popular Orkut, até chegar à febre do Twitter e Facebook, o internauta brasileiro mostrou ser bastante participante no mundo virtual. De acordo com a F/Nazca, na última pesquisa realzada em Abril de 2010, 54% dos brasileiros com mais de 12 anos costuma acessar a web. Isso equivale a 81,3 milhões de pessoas, apesar do acesso ainda precário à banda larga, em comparação com outros países. Mas como para tudo há um jeitinho brasileiro, os internautas tupiniquins se viram como podem: O principal local de acesso são as lan houses, responsáveis por 31% dos acessos, e nas últimas colocações, a própria casa (27%) e a casa de parente ou amigos, com 25%.

Sendo assim, somos o 5º país em números de acesso à internet, e não é nenhuma novidade imaginar que vez ou outra, o Brasil faz barulho na internet. Um dos destaques do ano passado foi o termo "Cala boca, Galvão", que chegou a figurar no New York Times e em inúmeros blogs internacionais durante a Copa do Mundo. Milhares de usuários de outros países se perguntavam o que significaria aquela frase, enquanto os brasileiros aproveitaram para tirar sarro dos gringos com a sua piada interna. Entre as especulações, as mais surreais estavam sobre a possibilidade de "Cala Boca Galvão" ser o título do aguardado novo single da Lady Gaga, ou o mais conhecido, que ganhou um bem produzido vídeo no YouTube, acessado até hoje, que trata da extinção dos Pássaros Galvão, que dependiam de um tweet dos usários para que fossem realizadas doações para a fundação em defesa dessas supostas aves, dizimadas todos os anos pelo mercado negro de suas penas para fantasias de carnaval:




E o resto é história. Para quem vive no Brasil, a piada era uma crítica ao comentarista Galvão Bueno, da Rede Globo de Televisão, que há décadas presenteia os espectadores com sentenças surreais durante os seus comentários em eventos esportivos. Pois bem. Para quemnão entendeu ou não admitiu a piada com Galvão, a Panda Books lançou no fim do ano passado "Cala boca, Galvão", uma antologia de 35 anos de pérolas divididas em 10 categorias, (ou capítulos), com cada uma acompanhada de um divertido comentário do autor, Pablo Peixoto, autor dos vídeos "Um dia de Fúria", onde mexia com o humor nada amigável do ex-técnico Dunga, e do Tumblr "Porra, Maurício!", onde consegue a proeza de trazer à tona interpretações dos quadrinhos da Turma da Mônica, que aliados ao sarcasmo e a uma mente fértil, podem dar vazão à mensagens subliminares nada inocentes.


O livro, de 140 páginas, além de ser engraçado, funciona como um documento do poder midiático que a internet alcançou, e de como ela se incorporou ao dia-a-dia das pessoas. Ilustrada por Ricardo Gimenes, a coleação de sentenças inimagináveis ganha um contorno descontraído, para ler e reler várias vezes.

Como não rir de Galvão Bueno, ao ouvi-lo dizendo que "Rubinho disse que vai acelerar na largada"? Ou ainda ficar incólume à sua reconstrução das regras da geometria, ao afirmar que "Aqui em Mônaco não dá pra ver o fim da reta porque a reta é curva!!!”?

Ou ainda:

“Eles começam o segundo tempo como o primeiro, tocando a bola.”
22/6/2010, Copa do Mundo – Argentina X Grécia
Nota do autor: - Eles tentaram começar sentando na bola, Galvão, mas parece que a regra não permite.




"Cala Boca Galvão"
De Pablo Peixoto
Ed. Panda Books
Preço médio: R$ 37,00

Um comentário:

  1. Como não curto esportes televisivos, Galvão é um pálido nome em minha memória. Não sei como as pessoas podem ficar tanto tempo assistindo coisas tão estáticas, ao invés de participar que é muito mais divertido e saudável.

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