segunda-feira, 6 de setembro de 2010

A PARTITURA DE UMA VIDA



Ela brilhou no concerto acompanhada do Conjunto de Cellos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, durante a sétima edição da Mostra Internacional de Música em Olinda (Mimo). Alzeny Nelo, a intéprete de "Ana Bandolim" e das "Bachianas Brasileiras nº 5", que arrancou aplausos do público presente na Igreja da Misericórdia no último domingo, bateu um papo com a Cajumanga, sobre sua carreira.


Você vem de uma formação musical que não é muito incentivada no Brasil. Como é viver de música para você, neste segmento?

Eu sempre me vi envolvida pela música, desde muito jovem, então, quando você ama o que faz, não há outra saída senão se empenhar naquilo que te move. Eu acho que dá pra viver de música sim, desde que você estude bastante, não perca o foco e não se subestime. O segredo é buscar o melhor sempre.

Você é natural de Natal. Como foi a sua trajetória musical, desde Natal até aqui?

Eu iniciei meus estudos musicais no Instituto de Música Waldemar de Almeida, e me formei em canto pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Lá eu estudei com a professora Nazaré Rocha. Estar num ambiente com pessoas tão boas só me incentivou a buscar novos horizontes, então em 2000, fui participar do Concurso Internacional de Canto Francisco Mignone, no Rio de Janeiro, de onde saí semifinalista. Em 2002, conquistei uma bolsa de estudos do Governo Federal para aperfeiçoamento no exterior, indo estudar em Paris. Lá eu fui aluna e bolsista na Ecole Normale de Musique de Paris/Alfred Cortot na classe da professora Ana Miranda. Eu me coloquei como objetivo ser a aluna mais aplicada da turma, e, com a ajuda de Deus, tudo deu certo.

Voltando ao Brasil, qual direção você tomou?

Não me desliguei da música. Em 2007, eu fui solista no primeiro concerto oficial da Orquestra Sinfônica do Rio Grande do Norte sob a regência do maestro André Muniz. E continuei estudando e praticando muito. Quanto mais a gente se aperfeiçoar, melhor. É o único caminho.

Entre os prêmios conquistados, está o do último Concurso Nacional de Canto Lírico/Ópera da UFRJ, o que lhe trouxe ainda mais visibilidade. Em termos profissionais, o que este concurso acrescentou à sua carreira?

Por conta deste concurso eu recebi convites para a participação na temporada 2010 do Theatro Municipal, na temporada 2010/2011 da Sala Cecília Meireles e na temporada 2010/2011 da Orquestra Sinfônica Nacional da UFF. É um sonho.

Como cantora lírica, qual a importância de um evento como a Mimo?

É importantíssimo que se possa levar a música a uma parcela do público que normalmente não teria acesso. A forma com a qual a música está sendo tratada na Mimo também contribui para desmistificar toda aquela aura que constroem em torno da música de câmara e erudita, de que ela é difícil, que não agrada a todo mundo, e veja só, os concertos estão sempre lotados.

Qual recado você daria às pessoas que estão pensando em seguir carreira na música?

Estudem bastante, e não percam o foco. E amem, abracem a música. Ela é generosa para aqueles que realmente a amam. A realização e reconhecimento sempre vêm quando fazemos um trabalho com prazer e dedicação.



Alzeny Nelo em Bachianas Brasileiras nº 5


Texto e Foto:
Juliano Mendes da Hora

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