segunda-feira, 6 de setembro de 2010

AQUARELA MUSICAL BRASILEIRA

O Conjunto de Cellos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte foi uma das atrações mais aplaudidas da sétima edição da Mostra Internacional de Música de Olinda - Mimo. A apresentação teve como cenário a Igreja da Misericórdia, servida de uma vista ampla das cidades de Olinda e Recife, nas imediações do alto da Sé, promovendo o casamento perfeito entre repertório e lugar.

Se existe um termo para definir a música apresentada pelo conjunto de cellos, este termo seria "viagem no tempo". O concerto teve como ponto de partida "Ana Bandolim", de Tico da Costa, arranjado por Willames Costa, presenteado com uma impecável interpretação da soprano Alzeny Nelo. Apesar desta primeira canção fazer parte da música contemporânea brasileira, a interpretação de Alzeny parecia ter sido feita sob medida para flertar com o casario centenário e o pôr do sol de Olinda, transportando o público para um Brasil de séculos passados. Ao seu lado, o conjunto de cellos completava a paisagem que era pintada utilizando a nossa audição como pincel: Era possível imaginar as várias Anas Bandolins passeando na frente da igreja, em meio às quituteiras, vendedores e tipos que seriam facilmente encontrados em quadros de Debret.



Após este belíssimo presente, os cellos e a voz da soprano presentearam o público com uma majestosa interpretação das Bachianas Brasileiras nº 5, de Villa-Lobos. É incrível o poder desta composição. Por mais que seja conhecida, ela nunca é óbvia. E emociona a cada vez que é executada. Não foi diferente com o conjunto de cellos ali presente, que além de excelência ao executar, mostrou emoção, agregando muito mais valor à sua apresentação.

Neste concerto, o erudito e o popular flertaram, e o público pôde confrontar Bach e a sua Ária em Sol Maior com os Remeiros do São Francisco, de Ernst Widmer. Além destes, Ferdinand Lachner e sua Serenata (Andante) também foi executado, arrancando aplausos cada vez mais longos ao fim de cada aperesentação. "Oniçá Orê", de Lindenbergue Cardoso, com arranjo de Piero Bastianelli, trouxe à tona aquele orgulho de fazer parte desta miscigenação cultural que é ser brasileiro: A linha composicional se utiliza de elementos do candomblé.


Por fim, a cereja do bolo ficou por conta do bis, quando o conjunto volta sem anunciar a próxima composição, mas afirmando que o público presente reconheceria a música logo de cara. Quem poderia esperar escutar o tema de "Os Simpsons" numa mostra de música erudita? O público saiu agradecido por tamanha paixão e bom humor dedicados à música.

Confira mais fotos da apresentação:









Texto e Fotos
Juliano Mendes da Hora

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