terça-feira, 31 de agosto de 2010

EM QUE SÉCULO A GENTE ESTÁ, HEIN?

Olá, leitores. Quem escreve é Renato Chagas, um dos novos colunistas aqui da Cajumanga. Nesta estreia, eu quero discutir com vocês um assunto de extrema importância para a democracia brasileira: a censura ao humor nessas eleições. Como todos já sabem, houve mudanças na Lei Eleitoral para este ano e a mais polêmica delas é a proibição de programas de humor (de rádio e TV) na cobertura das eleições; programas como o "CQC" e o "Pânico na TV" não podem fazer piadas e perguntas indiscretas para todos os candidatos a deputado, senador, governador e presidente. Felizmente, uma liminar emitida na última quinta feira, 26 de Agosto, pelo ministro do STF Carlos Ayres Brito, suspendeu o tal dispositivo da Lei Eleitoral que impedia humoristas de criarem paródias, sátiras, charges, dentre outros, relacionadas aos atuais candidatos às eleições. Que susto, não?

Eu fico aqui pensando: a matéria-prima (ou uma delas) do humor não é a política? Então porque afetar os humoristas, que além de nos alegrar, nos alertam em alguns casos. Fico preocupado porque se tem uma coisa que brasileiro sabe é fazer de tudo uma piada, por mais sério que seja o assunto, sempre tem uma piadinha. Uma das minhas hipóteses é que programas de humor costumam colocar certos políticos em situações vexatórias (exemplo de José Genoíno, candidato a deputado federal pelo PT, que depois de ser vítima de uma brincadeira do "Pânico" nunca mais falou com qualquer outro humorístico), por isso, para se vingar, eles tiveram essa brilhante ideia (de jerico).

E imaginar que nos Estados Unidos, uma nação muito mais avançada que a nossa, as piadas políticas sempre foram bem-vindas. Na eleição de Obama, vários programas de TV satirizavam a vice de John McCain, Sarah Palin. E ela nunca se sentiu ofendida. Outro exemplo: Bush sempre era alvo das piadas de David Letterman e o que acontecia? NADA!!! Tem um programa de humor nos EUA, o famossíssimo Satuurday Night Live (exibido no Brasil pela Sony) que é implacável com políticos, celebridades e afins. E ninguém se ofende; aqui no Brasil, se alguém não gostar de alguma piada você pode tomar um processo (o "CQC" que o diga, né).


Essa censura aos programas de humor mostra que o humor (e a imprensa) sempre são bodes espiatórios neste país. Na passeata "Humor Sem Censura", realizada no Rio de Janeiro no último domingo, Paulo Bonfá do RockGol (MTV) disse que daqui a pouco serão os religiosos e depois a gente não pode mais contar piada de nada. E concordo plenamente com ele. Aliás, se tem uma coisa que acho ridícula é essa proibição de rádios e TVs externarem suas preferências e opiniões durante as eleições; um grupo de comunicação pode ser parcial sim, mas no fundo, no fundo todo mundo tem uma preferência. Outro exemplo americano: os jornais declaram na cara dura em quem farão campanha; e ninguém fica incomodado.

E imaginar que essa censura estava para chegar na Internet!!! Isso mesmo, se a Lei Eleitoral fosse mudada do jeito que os polítcos queriam, você não poderia ler esse texto!!! Ainda bem, que o bom senso prevaleceu (pelo menos no virtual).

E fico aqui me perguntando (e quero que você também se pergunte): QUE DEMOCRACIA É ESSA EM QUE AS RÁDIOS E AS TVs SÃO OBRIGADAS A TRANSMITIR ESSE HORÁRIO ELEITORAL RIDÍCULO? QUE DEMOCRACIA É ESSA EM QUE OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO DE MASSA NÃO PODEM OPINAR NAS ELEIÇÕES? E QUE CULPA TEM OS PROGRAMAS DE HUMOR SE OS POLÍTICOS NOS FAZEM DE PALHAÇO A CADA QUATRO ANOS? Isso é democracia?

E para encerrar este texto, faço minhas as palavras do comandante do "CQC" Marcelo Tas: "QUEM DIRIA: EM PLENO SÉCULO 21, A GENTE GRITAR 'NÃO A CENSURA'."

Abraços e beijos a todos e até a próxima.


Por Renato Chagas
Créditos: Nani e Terra.

Nenhum comentário:

Postar um comentário