segunda-feira, 12 de julho de 2010

GUARDA-CHUVA E GUARDA-SOL

Dias de sol e chuva têm a mesma importância em nossas vidas. Sejam eles metáforas ou sentidos reais. Embora eu saiba que seja difícil encontrar o equilíbrio das coisas, todos sabemos que o excesso pode ser prejudicial.

Mas e quanto à felicidade? Ela alguma vez já foi vítima do excesso? O excesso tem esse poder de vitimizar, ou ele é fruto do livre arbítrio?

Não lembro de ter ouvido alguém reclamar de "excesso de felicidade". Acho que ela é a única coisa no mundo que nunca existirá a mais que o necessário. Na verdade, a felicidade nem é aquilo tudo que nos foi ensinado ao longo da vida. Ela assume formas e tamanhos diferentes, podendo ser gigante quanto os passos largos e apressados em direção àqueles que amamos, ou sonora quanto os gritos de felicidade que não seguramos ao atingir um objetivo que nos foi muito caro. Mas ela também pode ser uma dama simples e discreta, quase invisível, como é na maioria das vezes.

Ontem ela me acompanhou numa caminhada a pé para casa. Ela apreciou comigo as cores das quatro da tarde e me emprestou molduras que a minha mente usou para registrar a paisagem que me rodeava. Adoro caminhar sem nada nos bolsos ou no pensamento. Ela também subiu no ônibus e me acompanhou na janela, deixando o vento beijar nossos rostos.

Gosto de saber que ela é invisível. Às vezes somos contaminados pela idealização de uma felicidade plástica e esfomeada, que come o nosso sossego e a nossa energia. Só mesmo parando pra respirar e observar a quantidade de gente que é carregada por uma onda que não leva a lugar nenhum. Eu não espero que a minha vida esteja repleta de efeitos especiais e felicidade inflável, grande por fora e com o vazio fazendo companhia com o ar em seu interior.

A felicidade nunca virá acompanhada de sininhos, nem de valsa como fundo musical. Também não irá parar no tempo, fincando os pés num verão eterno. Ela é bem mais simples que isso, e é uma pena que esqueçamos deste detalhe diversas vezes ao longo de nossas vidas. Até para enxergar a felicidade a gente tem que cultivar a atenção e a disciplina. A primeira, para nos ajudar a enxergar o real tamanho daquilo que nos faz feliz, e a segunda, para que lembremos que ela só depende de nós mesmos, e que cada um possui um caminho a seguir de acordo com nosso próprio ritmo. É uma questão de respeito a si próprio.

Se você se respeita, então está no caminho certo. Se respeitar é fazer o que é bom pra você. É reconhecer os próprios limites e confiar em si mesmo quando sentir que pode ultrapassá-los para poder crescer.

Enquanto isso, aprendemos a andar tanto em companhia da chuva quanto do sol. Por que os dois são necessários para que percebamos que a beleza da vida existe tanto nos sorrisos solares, quanto no frio da saudade que a chuva traz. No final das contas, o real sentido não está no nosso destino final, mas sim na viagem que fazemos em direção a ele. Com todos os sóis e chuvas que temos direito.

Por Juliano Mendes da Hora
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