quarta-feira, 12 de maio de 2010

UM, DOIS... FREDDY VEM TE PEGAR...

Estreou neste final de semana o filme “A Hora do Pesadelo”, remake do grande sucesso de 1984, criado por Wes Kraven, que apresentou Freddy Krueger para o mundo. O homem de chapéu de feltro, camisa listrada e rosto queimado que tinha uma garra com lâminas e invadia o sonho das pessoas se tornou tão popular quanto os monstros consagrados do cinema, como Drácula, Lobisomem e Frankestein.

O personagem, imortalizado na pessoa de Robert Englund, ganha uma nova face: a do ator Jackie Earl Haley (o psicótico Rorschach de Watchmen), escolha que, com o perdão do trocadilho, caiu como uma luva para o papel. O novo “A Hora do Pesadelo” pretende dar um reboot no personagem, assim como já foi feito com Jason Voorhees da série Sexta-Feira 13.


Jackie Earl Haley é o novo Freddy

Ao longo dos anos, esses personagens foram perdendo sua característica aterrorizante para cair no ridículo e qualquer filme novo das franquias causavam mais riso do que medo nos expectadores. A ideia é justamente recuperar a imagem que causa medo e deixar no público aquele clima tenso que a nova safra de filmes de terror oriental tem explorado tão bem, com produções como “O Grito”, “O Chamado” e outros.

A história conta a origem de Freddy e como ele se tornou o assassino invasor de sonhos, algo que o original não conta com detalhes. Os fatos que moldaram a personalidade de Freddy, foram sendo mostrados aos poucos ao longo dos oito filmes da franquia, como um grande quebra-cabeças. A única mídia a contar os primórdios do personagem foram as histórias em quadrinhos. Em 1989, a Marvel – editora do Homem-Aranha, Thor, Hulk, Capitão América e Homem de Ferro entre outros – lançou uma revista em duas partes com roteiros de Steve Gerber e desenhos de Tony DeZuniga e Richard Buckler.



A história conta como sua mãe, uma freira, foi estuprada por dezenas de maníacos de um hospício onde ela atuava. Como naquela época os testes de DNA ainda não estavam na moda (Ah, que falta fazia o Programa do Ratinho...!), o garoto era chamado de “o filho bastardo de uma centena de homens”. Novas histórias surgiram nos anos seguintes, por diversas editoras, incluindo uma revista em 3-D, embalada pelo sucesso do filme lançado em 1991 que utilizava essa técnica.

Vale dizer que o elenco do remake traz também o jovem ator Kyle Gallner, conhecido pelo papel do jovem Flash na série de TV Smallville. Sem dúvida, ele vai ter que correr muito para fugir das garras do monstro. De qualquer forma, o filme promete muito suspense, vários sustos e, claro, muito, muito sangue. Freddy Krueger não morre tão cedo. Será que você tem coragem de dormir na poltrona do cinema?

COMO TUDO COMEÇOU

No já distante ano de 1984, uma produção de baixo orçamento, sem grandes efeitos, mas com uma grande quantidade de sangue jorrando na tela (conta-se que foram utilizados 500 galões de sangue falso na produção) entrava para a história do cinema. A Nightmare on Elm Street (Um pesadelo na Rua Elm, em tradução ao pé da letra) apresentava um assassino serial que adorava matar crianças, muito antes dos crimes de pedofilia encherem as páginas de nossos jornais.

Como na vida real, o criminoso foi pego pela população e levado à justiça, mas declarado inocente. Revoltada, a população fez justiça com as próprias mãos e ateou fogo na casa de Krueger. Antes de morrer, porém, Freddy fez um pacto com o demônio e se transformou num espírito capaz de invadir os sonhos das pessoas e matá-las enquanto dormem.

Na época, a onda no Brasil eram os filmes de terror com o título “A hora de...”, a maioria de qualidade duvidosa, mas que faziam muito sucesso exatamente por não precisar muito raciocínio: era sentar na frente da tela e curtir, com muitos sustos. Assim, batizaram a produção como “A Hora do Pesadelo” em terras tupiniquins.

A origem de Freddy Krueger é contada ao longo dos oito filmes da série, sempre em flashbacks, mas a essência do personagem ficou marcada desde o primeiro filme. Wes Craven criou um clássico e catapultou Freddy para o rol dos grandes monstros do cinema, além, é claro, de inaugurar uma franquia milionária. No entanto, conta-se que ele não pretendia fazer do filme uma série e até foi contra alguns roteiros das continuações, que deturparam sua criação original.


Talvez por isso, o primeiro filme seja, de longe, o melhor de todos. A história conta como uma jovem chamada Nancy (Heather Langenkamp) é atormentada por pesadelos nos quais aparece sempre o mesmo homem tentando matá-la. Pouco a pouco, outros jovens do círculo de amizades de Nancy vão sendo assassinados e ela descobre a história de Freddy (Robert Englund) e luta para expulsá-lo de seus sonhos e permanecer viva até o final.

“A Nightmare on Elm Street” se tornou um grande sucesso e arrecadou mais de US$ 25 milhões apenas nas bilheterias americanas. Além disso, tem o mérito de lançar um desconhecido Johnny Depp, que se tornaria um grande astro nos anos seguintes. O filme ganhou dois prêmios no Festival de Filmes Fantásticos de Avoriaz (França): prêmio de crítica para Wes Craven e menção especial pela atuação de Heather. Também recebeu três indicações para o Saturn Award, da Academia de Filmes de Ficção Científica, Fantasia e Horror (EUA): melhor filme de terror, melhor performance de um jovem ator para Jsu Garcia (1985) e, mais recentemente, melhor lançamento em DVD (2007).

A partir daí, a cada dois anos em média, um novo filme da saga estreava nos cinemas. Afinal, quem poderia matar um monstro que não existe? Só mesmo as bilheterias, algo que não aconteceu, pois cada novo capítulo superava o anterior em faturamento. Além do cinema, Freddy também ganhou uma série de TV nos moldes de “Além da Imaginação”, onde era apenas o anfitrião e narrava contos fantásticos de terror envolvendo pesadelos. Durou duas temporadas, de 1988 a 1990, num total de 44 episódios.

LINHA DO TEMPO:

Acompanhe abaixo a trajetória de Freddy Krueger nos cinemas:




A Hora do Pesadelo (A Nightmare on Elm Street, 1984) – Nancy é atormentada nos sonhos por um homem de chapéu e rosto queimado que mata várias pessoas enquanto estão dormindo.







A Hora do Pesadelo 2: A Vingança de Freddy (A Nightmare on Elm Street 2: Freddy’s Revenge, 1985) – Freddy possui o corpo de um rapaz da Rua Elm que passa a cometer os crimes em seu nome. O filme recebeu muitas críticas, inclusive do próprio Wes Craven, que não concordou com o fato de seu personagem possuir um corpo. Apesar de inferior, o filme superou a bilheteria de seu antecessor (US$ 30 milhões).



A Hora do Pesadelo 3: Guerreiros dos Sonhos (A Nightmare on Elm Street 3: Dream Warriors, 1987) – Nancy está de volta e organiza um grupo de jovens para combater Freddy nos sonhos. Apesar dos supostos “poderes” que cada um tem em seus sonhos, derrotar o vilão não é tão fácil quanto parece. Produção com roteiro mediano que arrecadou US$ 44,8 milhões em bilheteria.



A Hora do Pesadelo 4: O Mestre dos Sonhos (A Nightmare on Elm Street 4: Dream Master, 1988) – Freedy captura a essência dos jovens que mata, adquirindo mais poder. História fraquinha, que traz de volta três dos jovens “guerreiros” do filme anterior, dos quais apenas um ator (Rodney Eastman) repete o papel. Arrecadou quase US$ 50 milhões e é o mais lucrativo da série



A Hora do Pesadelo 5 (A Nightmare on Elm Street 4: The Dream Child, 1989) – Pior de todos os filmes de Freddy. Alice, protagonista do filme anterior, fica grávida do namorado e Freddy retorna através dos sonhos do bebê. Teve cerca de US$ 10 milhões de orçamento e rendeu míseros US$ 22 milhões.



Pesadelo Final: A Morte de Freddy (Freddy’s Dead: A Final Nightmare, 1991) – Deveria ser o último filme da franquia, com a sequência final em 3-D, o que garantiu maior interesse ao filme. No entanto, pouco tem de terror. Freddy virou piada e não causa mais medo como antes. Johnny Depp faz uma ponta nesse filme, que também conta com a participação especial do roqueiro Alice Cooper como o pai alcoólatra de Freddy.



O Novo Pesadelo (Wes Craven’s New Nightmare, 1994) – O diretor Wes Craven reassume as rédeas da sua criação e garante uma produção bem melhor que as anteriores. Ele havia sido cogitado para fazer o filme anterior, mas recusou. Neste, porém, ele assumiu com roteiro e direção. O resultado é uma história bem conduzida que mistura realidade com ficção. Heather Langenkemp e Robert Englund são convidados para fazer um novo “A Hora do Pesadelo”, dez anos após o filme original. Durante as filmagens, Freddy começa a matar pessoas e a perseguir Heather, o que a leva a deixa em dúvida onde termina a ficção e onde começa a realidade. Apesar das críticas positivas, foi o filme menos rentável: apenas US$ 18 milhões, fruto talvez, da descrença na qual o personagem caiu após as últimas prouduções.



Freddy Vs. Jason (idem, 1994) – Freddy caiu no esquecimento (a realidade se confunde com a ficção novamente?). Depois de matar todos os jovens da Rua Elm, não há mais ninguém que se lembre do nome de Freddy Krueger. Como qualquer figura mitológica, ele precisa de que acreditem nele para poder continuar existindo. Assim, Freddy “contrata” Jason, o vilão de Sexta-feira 13, para matar em seu nome, enquanto ele invade os sonhos das pessoas. Só que Jason sai do controle e Freddy é obrigado a confrontá-lo no final. Apesar da boa ideia de juntar dois ícones do cinema de terror, o roteiro não consegue se segurar, resultando num filme mediano. É o filme mais sangrento, com 24 mortes, sem contar as da cena da festa rave.


Por Eduardo Marchiori

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