domingo, 9 de maio de 2010

SOBRE ENCONTROS E DESENCONTROS, ACHADOS E PERDIDOS.

Algumas vezes nessa vida nos encontramos infiltrados em situações que nem nós mesmos conseguimos resolver. E quando me refiro a essas situações, puxo na memória um trecho de música do meu querido Lulu Santos, segundo o qual “consideramos justa toda forma de amor”... Será?

Muitas vezes me pergunto até onde uma pessoa é capaz de ir por um sentimento maior. Mas que fique bem claro, antes de tudo, que estou me referindo às pessoas com pelo menos algum décimo de sanidade mental, porque de neuróticos apaixonados sabemos que o mundo está cheio por aí. Daqueles que perseguem, que cortam os pulsos ou que pulam do prédio apenas pra chamar a atenção do ser amado. Mas enfim, deixando as neuroses de lado, o que você seria capaz de fazer para conquistar ou para prender uma pessoa?

Imaginemos duas situações…

Primeira: Onde os dois não se conhecem. Nesse caso, acho válidos os olhares, os sorrisos, os leves esbarrões e as cantadas. Sim, as cantadas. Por que não? Se nos fizerem rir já é ponto pra eles. Se conseguirem prender nossa atenção, já é um terço do caminho andado. E se acontecer de ela lhe encarar, apresse-se, meu anjo, antes que o encanto passe e ela fuja.

Segunda: Onde o casalzinho já se conhece. Aí o caminho já está andado mais de um terço (ou não). As conversas acontecem com maior leveza, talvez os dois já sejam amigos. Mas nesse ponto deve-se ter cuidado. Caso você não seja correspondido, além da pseudo-futura-namorada, você pode perder também a amiga.

Aí o tempo passa. Todo mundo junto e feliz. Aí alguém resolve dar o fora. E agora?

A gente se desespera, a gente chora, a gente vira do avesso pra tentar entender. Alguns simplesmente entendem, outros tentam convencer uma reconciliação, outros se submetem ao tipo “quando sentir minha falta, me liga” sendo usados como prêmios de consolação num dia tedioso.

Lulu Santos há de me perdoar, mas não acho justa toda forma de amor.

Uma relação onde as brigas, as desconfianças e os (prováveis) choros duram mais tempo que os sorrisos, não é uma relação. Às vezes nos prendemos a um relacionamento, querendo acreditar que aquela pessoa nos faz feliz. Mas onde está a felicidade de um casal que não sabe que briga e discussão não são sinônimos? Onde está a felicidade conjugal de alguém que prefere passar mais tempo fora de casa, pra ver se assim consegue um pouco mais de paz?

Sou a favor de uma forma de amor sadia. Uma forma de amor sem ciúmes doentios, sem cenas absurdas. Não que uma briguinha de vez em quando não apimente as coisas. Mas leia-se DE VEZ EM QUANDO.

Amor foi feito pra ser curtido, pra ser vivido acompanhado. Pra ser judiado… nunca! Amor judiado machuca, cansa, desgasta e some.

Acredito que se alguém possui um amor, deve cuidar dele como quem cuida de si mesmo, como quem admira seu próprio reflexo no espelho. E para aqueles que ainda não encontraram o ser amado, não se apressem. Um dia aparece alguém para se cuidar.


Por Camilla Pires

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