quarta-feira, 12 de maio de 2010

MEGADETH: LONGE DO FIM, PERTO DA ETERNIDADE

Para a felicidade dos fãs, banda prova que ao contrário do título do seu último disco, ainda não é o fim do jogo para o heavy metal.



Com muita felicidade recebi a notícia de que uma das minhas bandas favoritas iria tocar em minha cidade, trata-se de um grande sonho que finalmente iria se tornar realidade. Confesso que eu, assim como muitas pessoas, não vi com bons olhos a escolha do Clube Português para realização do evento, visto que a casa não parecia adequada para uma banda do porte do Megadeth, contudo a produtora fez um ótimo trabalho e conseguiu quebrar a cara de muita gente, inclusive deste que vos escreve.

Além do receio com relação ao local do evento outro fator também me preocupava: o valor do ingresso. Um tanto salgado para o padrão local, o que me fez pensar na possibilidade de um público escasso no show, algo que na minha visão de fã seria motivo de vergonha, porém logo quando cheguei na Av. Agamenon Magalhães e vi a fila que ali estava formada tal receio caiu por terra. A empolgação dos fãs na fila era visível, muitos deles vindo de outros lugares da região para contemplar o evento, creio que pra mim e para a maioria o que veríamos dentro de alguns minutos seria mais que um simples show de heavy metal: e foi. O Português estava de um modo que eu nunca tinha visto antes.

A banda pernambucana Cruor teve a responsabilidade de abrir o evento, tarefa um pouco difícil, visto que muitos estavam ansiosos pela apresentação principal, inclusive uma boa parte ainda não havia entrado na casa. Eu mesmo cheguei ao meio da apresentação e perdi alguns momentos.

O som da banda é calcado no thrash a lá Slayer, bastante direto e agressivo. Confesso que fiquei surpreso com o som da banda, apesar deles terem bastante tempo de estrada (a banda foi fundada nos anos 80) eu assim como a maioria dos presentes desconhecia sua música. Fizeram um show energético, uma roda foi aberta e teve direito até a cover do Slayer ("Blood Red", "Postmortem" ou "Expendable Youth", se não me falha a memória). Ponto para a produtora que investiu em uma banda local, fato este lembrado pelo vocalista que agradeceu no término da apresentação.

Após o fim da abertura uma grande expectativa formou-se. Confesso que quando vi o plano de fundo do “Rust in Peace” e o símbolo do hangar na bateria fiquei deveras emocionado. Apesar do show ter sido anunciado como parte da turnê do “Endgame”... Dave Mustaine iria cumprir com a promessa e tocar o álbum integralmente aqui no Brasil também? Tais fatos enunciados elevaram minha expectativa deixando-me ainda mais curioso sobre o que estava por vir... O que estava por vir?!


Logo após a introdução com o playback tocando Black Sabbath a banda chega e, sem pausa, dispara três clássicos: “Skin o’ My Teeth”, “In My Darkest Hour” e “She-Wolf”. Essa última com seus solos duetados devidamente “cantados” (ou seria gritado?) por mim e alguns presentes.

David Ellefson, que regressou a banda há pouco tempo, mostra que seu lugar é de fato comandando as quatro cordas do Megadeth. É um dos mais carismáticos e possui bastante presença de palco. Que me perdoe James LoMenzo, outro excelente baixista e talvez tecnicamente superior, porém esse cara é parte da história do Megadeth.

Após essas três músicas Mustaine realiza a primeira pausa para dar as boas vindas ao público e inicia, para o deleite dos presentes, o riff daquela que é um dos maiores clássicos do metal mundial: “Holy Wars... The Punishment Due”, dando início, consequentemente, a execução da obra-prima metálica que atende pelo nome de “Rust In Peace”. Incrível o poder dos riffs dessa música, creio que a essa altura minha voz (não só a voz na verdade) já não estava mais 100%, mas mesmo assim cantei boa parte da letra dessa música, que incrivelmente, 20 anos depois, ainda é atual.

Em seguida surge a não menos clássica “Hangar 18”, dono de um dos maiores desfiles solísticos do estilo. Nessa música parei pra pensar que o Chris Broderick é a melhor coisa que aconteceu ao Megadeth desde Polland e Friedman. Sua técnica, assim como seu tamanho (a guitarra parece um brinquedo em suas mãos) são impressionantes, o sujeito consegue emular com perfeição os solos criados por seus antecessores, mandando muitíssimo bem em todas as execuções.

O show prossegue com a frenética “Take No Prisoners”, nessa música a coordenação motora anormal de Mustaine chegou a me indignar, que foi seguida por uma de minhas favoritas do álbum “Five Magics”, nessa música (se não me falha a memória) Mustaine para pra perguntar se uma garota exprimida na grande estava bem e depois volta a tocá-lo. Fato este que no momento deixou muitos confusos. “Poison Was The Cure” não foi tão ovacionada quanto as anteriores, mas funcionou bem ao vivo. Agora um dos melhores momentos do show: a dobradinha “Lucretia” e ”Tornado Of Souls”. Sempre achei que essas duas músicas em seguida teriam um efeito devastador e o resultado não foi diferente do que eu pensei. Com o fim da execução do “Rust In Peace” a banda da uma pausa para executar “Trust”, soa execução foi ótima, com destaque para o refrão e o interlúdio com guitarras limpas, apesar de Mustaine mostrar-se cansado nos vocais, mas compensando nas guitarras, ou seja, tudo bem.


Após Trust, mas uma pausa para execução das duas músicas do “Endgame”, as músicas escolhidas foram: “The Right to Go Insane” e “Head Crusher” tendo esta última um pequeno “ensaio” antes para os fãs cantarem o seu refrão. A banda acertou em “economizar” nas novas, visto que não tiveram o mesmo impacto dos clássicos.

O final, talvez o ápice do show, com “Symphony Of Destruction”, cujo riff principal teve acompanhamento do coro feito pela maioria dos presentes: “MEGADETH, MEGADETH, AVANTE MEGADETH!” A banda volta com Ellefson trajando umaa camisa da seleção brasileira e toca como bis “Peace Sells”, com seu refrão cativante, acompanhado a pedidos de Dave pela platéia (como se precisasse...) e final devastador. O Megadeth retorna e toca um trecho de ”Holy Wars” para encerrar uma noite perfeita. Um Dave Mustaine de poucas palavras, esgotado no fim, porém visivelmente satisfeito com o público. Momento este até raro! Ao som do playback de “Silent Scorn” o Megadeth abandona o palco.

Enfim, show praticamente perfeito, com destaque para a excelente participação do público. Único defeito, questionável, que pode ser apontado foi a duração do show. Confesso que só fui notar a ausência de algumas músicas essenciais, como “Wake Up Dead” e “A Tout Le Monde” depois. Talvez o efeito “Rust in Peace” me tenha feito esquecer e relevar qualquer coisa.

Dave Mustaine tem sua postura em palco criticada por alguns, tida como “robótica”. O que é uma característica sua, o estilo mais parado no palco. Para mim não vem a ser nenhum demérito, visto que as músicas tiveram uma execução impecável (Instrumentalmente), sua voz mostrou-se cansada... Mas damos um desconto para um dos mestres do thrash metal. Como ponto negativo posso citar o desempenho do simpático Shawn Drover, que em alguns momentos perdeu o tempo, recuperando-se logo em seguida, de forma alguma comprometeu a apresentação, mas me fez ter saudades de Nick Menza na bateria.

Longa vida a Dave Mustaine e ao Megadeth!

Setlist:

01 - Skin O' My Teeth
02 - In My Darkest Hour
03 - She-Wolf
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04 - Holy Wars... The Punishment Due
05 - Hangar 18
06 - Take No Prisoners
07 - Five Magics
08 - Poison Was The Cure
09 - Lucretia
10 - Tornado of Souls
11 - Dawn Patrol
12 - Rust In Peace... Polaris
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13 - Trust
14 - Head Crusher
15 - The Right to Go Insane
16 - Symphony of Destruction
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17 - Peace Sells
18 - Holy Wars (trecho)



Por Thiago Pimentel

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