domingo, 25 de abril de 2010

REMOTO CONTROLE

Acho a maior graça quando adultos arregalam os olhos e procuram o controle da televisão para que possam mudar de canal antes que os jovens ao lado escutem o final de alguma frase pornográfica. Acho graça, não só pelo fato dos olhos se arregalarem, mas por ficarem encabulados, querendo esconder situações que podem ser deixadas pra “mais tarde”. Uma cena de sexo, por exemplo. Não houve uma só vez em que vi um pai ou uma mãe assistir a uma cena de sexo ao lado dos filhos, sem ao menos ter uma pontinha de rosto corado ao ouvir todos aqueles gemidos. Aceitável que não é nada confortável presenciar tais cenas ao lado de um menino ou uma menina de 12 anos. Mas inaceitável acreditar que um garotinho nesta idade vai olhar aquilo e perguntar “mamãe, o que eles estão fazendo?”. Acredite, aos 12 anos seu filho, assim como 90% dos meninos, saberá perfeitamente o que se passa com toda aquela barulheira e movimentos pouco delicados.

E quanto a nós, meninas? Normalmente os meninos se tornam maliciosos antes de nós, ou nós é que somos obrigadas a manter nossa "ingenuidade" por mais tempo?

Se pararmos para pensar, em pleno século XXI, ainda somos instigadas a bancar as virgens, no sentido literário da palavra...ou não. A sociedade ainda nos julga pelo tempo que durar nossa santa castidade.

Castidade! Isso ainda existe? Atualmente, os padres ainda juram castidade. Atualmente, os menores desavisados terminam trancados em seus recintos e curiosamente na delegacia (ou no hospital) nos dias seguintes! Por isso não acredito nesse papo de santa castidade. Muito menos que haja uma idade certa para que ela vá embora.

Tive amigas que deixaram de ser “puras” aos 14 anos e vivem satisfeitas, mesmo depois de ataques histéricos de seus pais quando descobriram (se descobriram). Tenho amigas que são virgens aos 22, e que me fazem as mais esdrúxulas perguntas que, ao pensar nas respostas, não sei se choro, ou se dou risada.

Não digo que é lastimável que isso aconteça. Longe de mim. Algumas mães insistem que casar virgem é o canal. Mas colocar regras, datas e horas pra isso acontecer, chega a ser ridículo. Não somos nenhuma espécie de sociedade hippie, adeptas ao sexo livre. Mas calma aí, senhores, a ditadura/repressão já terminou. Além disso, vontades e oportunidades acontecem sem que possamos escolher o dia certo.

Posso ter meu primeiro amor e me entregar por completo aos 15 anos, ter uma vida feliz, aprender a ser responsável com meu corpo e descobrir as conseqüências que me acometeriam se eu não o fosse. Por outro lado posso passar a vida inteira esperando a minha hora certa, me casar esperando a hora certa, e na hora “certa” eu descobrir que deveria ter perdido minha ‘pureza’ com o primeiro namorado aos 15 anos.

Enfim, enquanto não inventarem uma agenda que funcione de acordo com cada um, sou a favor que cada um crie a sua própria agenda. Cada um agüente os prós e os contras, e se achar que já é hora, seja feliz, meta as caras (e algo mais) e vá em frente. Hoje em dia, a vida é uma loucura, não acha?


Por Camila Pires
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