segunda-feira, 29 de março de 2010

TRILOGIA MILLENIUM: LITERATURA PARA LER E ASSISTIR


Há alguns meses Juliano me convidou para escrever na Revista Cajumanga, mas eu não sabia ao certo o que eu iria dividir com vocês. Tenho várias paixões: música, cinema, séries de TV, literatura – e nenhuma inspiração.

Mas a minha criatividade voltou depois que encontrei por acaso o filme “Os homens que não amavam as mulheres” (Män som hatar kvinnor), adaptação para o cinema da primeira parte da Trilogia Millenium, best-seller escrito pelo sueco Stieg Larsson. Especialista na atuação das organizações de extrema direita em seu país, Larsson denunciava grupos neofascistas e racistas. Ele é co-autor de Extremhögern, livro no qual põe o assunto em evidência. Morreu em 2004, vítima de um ataque cardíaco, pouco depois de ter entregado os originais dos romances que compõem a trilogia Millennium.





Não é fácil resumir esta trilogia. Larsson fez um trabalho fantástico e não é a toa que seus livros são muito vendidos em todo mundo. A leitura de seus textos está sendo considerada tão atraente quanto as obras de Agatha Christie. Cada livro aborda um tema distinto, mas sempre ligados à Lisbeth Salander, uma jovem hacker que invade o computador de Mikael Blomqvist, um jornalista que enfrenta o fracasso da sua carreira ao ser injustamente condenado a prisão.



Após o julgamento, Mikael é contratado pelo rico empresário Henrik Vanger para investigar o assassinato de sua sobrinha que aconteceu há mais de 40 anos. Vanger suspeita que o assassino é alguém de sua macabra família.

Ao acessar o computador de Mikael, Lisbeth toma conhecimento de algumas provas encontradas pelo jornalista e começa a investigar o assassinato sem que ele tenha conhecimento. Posteriormente eles passam a trabalhar juntos desvendando os mistérios de um caso que envolve nazismo, estupro, pedofilia, incesto e abuso de mulheres.

Lisbeth, personagem interpretado de forma impressionante pela atriz Noomi Rapace, é um ser interessantíssimo que parece ter saído das histórias em quadrinhos no estilo de Sin City. Ela tem um visual andrógino punk, abusa dos piercings e me matou de inveja com uma linda tatuagem de um dragão nas costas (que eu estou pensando seriamente em copiar). Mas o jeito rebelde de Lisbeth se comportar é conseqüência dos tormentos de um passado sombrio, revelado com detalhes ao longo da trilogia.

Quem começa a ler os livros ou a assistir aos filmes da trilogia Millenium não consegue mais se desprender do universo criado por Larsson. Ele criou uma história nada óbvia, com suspense do início ao fim, que surpreende o leitor a cada instante. A trama é fora do comum, muito bem amarrada da primeira até a última parte da trilogia.

E sabe o que é mais triste? Stieg Larsson, autor da trilogia Millenium, morreu antes dos seus livros serem publicados e não pôde ver o tamanho do sucesso das suas obras. Ele pretendia lançar um total de dez livros e deixou inacabados os volumes quarto, cinco e seis. Suspeita-se que ele foi assassinado em razão de sua luta contra a propagação da extrema direita na Suécia. Larsson era comunista e escrevia para uma revista de esquerda, a Expo, da qual era o fundador e editor-chefe. Assim como os personagens de sua saga Millenium, ele foi ameaçado de morte durante vários anos.




A Trilogia Millenium vendeu mais de 25 milhões de cópias em 40 países e Larsson foi o segundo autor que mais vendeu livros no ano de 2008. “Os homens que não amavam as mulheres”, primeiro filme da trilogia, foi o segundo filme independente mais assistido no ano de 2009, perdendo apenas pro vencedor do Oscar “Quem quer ser um milionário” (Slumdog Millionaire).

“A menina que brincava com fogo” (Flickan som lekte med elden) e “A rainha do castelo de ar” (Luftslottet som sprängdes) completam a maravilhosa trilogia Millenium escrita por Stieg Larsson, publicada no Brasil pela Companhia das Letras.

Aqui vai o link do trailer de “Os homens que não amavam as mulheres”, filme que será lançado nos cinemas brasileiros em 23 de abril de 2010. Os outros filmes da trilogia ainda não têm data prevista para estréia.





Por Alline Berek

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