segunda-feira, 29 de março de 2010

NO PAÍS DAS MÃOS MOLENGAS


As mãos moles, molengas, como diz o matuto, originam a denominação de mamulengo ao teatro de bonecos, comumente apresentado com cabeça esculpida em madeira e o corpo em tecido com forma de luva. Expressão de um povo em forma de bonecos. Um povo bravo, irreverente e 'safadoso".



Nas décadas de 50 e 60, praticamente todo o Nordeste brasileiro se divertia diante dos bonecos que surgiam por trás do pano esticado, nas feiras, nos pátios de colégios, nas tradicionais festas de rua, nos terreiros das casas grandes de engenho, assim como nas residências de pessoas humildes, que juntavam os vizinhos em suas salas para assistirem aos bonecos. A freqüência dessas apresentações residenciais, sempre foi maior na zona rural, ficando nas cidades a preferência pelas feiras e praças, sendo essa última muito utilizada na festa do padroeiro, no seu lado profano.



Os personagens e estórias são baseados no cotidiano, nos mitos e nas crenças do fantástico imaginário popular. Demônios, almas penadas, morte, santos, padres, cangaceiros, doutores e políticos desfilam num vasto repertório.

Mas de onde vem esta tradição?

A arte dos bonecos vem da Idade Média, onde Estórias, personagens populares, rei e rainhas, críticas sociais e os mitos se apresentavam em praça pública em pequenos palcos ou carroças. Hoje a formula é a mesma, mas com o inconfundível toque Brasileiro e sobretudo Nordestino.

Em Olinda, Pernambuco, o Museu do mamulengo – Espaço Tiridá se apresenta como um reino lúdico habitado pelos mais diferentes bonecos do estado. O nome do museu vem do boneco Professor Tiridá, criação de Mestre Ginu que simboliza a sabedoria popular.

Único espaço destinado a guardar a arte dos mamulengueiros na América Latina, o museu guarda um vasto acervo de pesquisa com mais de 1.200 peças do todo o nordeste.




O rico acervo foi formado há 12 anos por Fernando Augusto Gonçalves (Bonequeiro, encenador, cenógrafo e pesquisador) e doado a Prefeitura de Olinda que funciona num casarão no centro histórico.

Mas um vilão ronda este importante patrimônio Cultural:

Olinda é muito úmida e quente, foco perfeito para os cupins. As vigas de madeira infestadas põem em risco um pedaço importantíssimo de nossa cultura. As instalações encontram-se em estado precário e a matéria prima dos bonecos torna-se um delicioso alimento para as colônias desses visitantes indesejáveis.



A turma de colaboradores zela com muito carinho pelo acervo e pela difusão do Museu, senão já teria virado história de mamulengo. Ou melhor, corre este risco.




Então está dado nosso grito de socorro ás autoridades de Olinda para que olhem com um pouco mais de atenção a este pedaço tão importante de nossa cultura. Para quem planeja uma visita, o Museu do Mamulengo está aberto à visitações das terças às sextas, à partir das 10 h às 17 h; aos sábados e domingos, das 11 h às 17 h.

Confira mais fotos:
















Texto e fotos: Jefferson Duarte

Um comentário:

  1. Lindas fotos! Também passei lá em Abril, para matar as saudades e ve como vai as coisas. Os cupins e a falta de aproveitamento do espaço interno do Museu é precupante.
    Um abraço e felicidades pelo blog
    Maria Madeira

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