sábado, 6 de março de 2010

DAYBRAKERS: OS VAMPIROS SOMOS NÓS

O ano é 2019. Uma praga misteriosa infectou o mundo transformando a maioria da população do planeta em vampiros. Humanos agora estão um nível abaixo na cadeia alimentar, sendo caçados e mantidos em confinamento intensivo para o consumo da nova raça dominante... até entrarem em vias de extinção.


Enquanto isso, Edward Dalton, um vampiro pesquisador que se recusa a se alimentar a partir de humanos, busca uma alternativa que substitua o consumo de sangue e sustente os vampiros, sem que os humanos sejam dizimados. Mas o tempo e a esperança estão se esgotando, até que Edward encontra Audrey, uma sobrevivente que o guia até uma concentração de humanos que se refugia trocando conhecimentos e desenvolvendo uma tecnologia que poderá decidir o destino da vida na Terra.



Os co-diretores e roteiristas Michael e Peter Spierig criaram uma realidade num futuro próximo em seu filme Daybreakers. Aqui os vampiros são os humanos da vez e os humanos cumprem a mesma função que os animais criados em grandes complexos fazendário-industriais: A única razão de sua existência é alimentar a população mundial. Bem acima da média dos filmes de terror e ficção científica, Daybreakers é na verdade um convite à reflexão sobre o impacto causado pelo homem em relação aos outros seres neste planeta.



Na verdade, o filme estrelado por Ethan Hawke, Willem Defoe, Claudia Karvan e Sam Neill mostra uma situação que está bem diante dos nossos olhos, onde um número gigantesco de galinhas poedeiras, porcas prenhes, e bezerros são mantidos em gaiolas em bateria, celas de gestação, entre outras celas de confinamento. O pernil ou o peito de frango que nos chega em cortes nos supermercados foi impedido de exercer seus comportamentos naturais de espécie, de se exercitar e até de esticar completamente os seus membros. Estes animais passam por agressões físicas e psicológicas, por não terem condições de vida adequadas. Está mais que provado que os animais também possuem emoções e sofrem enclausurados nestes complexos.



Para se ter uma idéia, as celas de gestação que abrigam as porcas prenhes são jaulas individuais de concreto e cercas de metal, apenas alguns centímetros maiores que elas, sem lhes dar a chance de se virar para o outro lado. Com isso, elas sofrem risco de contrair infecções do trato urinário, ossos enfraquecidos, claudicação, além da redução da massa muscular e da força óssea, só para citar alguns de uma extensa lista de malefícios. O Baby Beef, por exemplo, nada mais é que um bezerro alimentado com dieta pastosa e líquida, confinado num local que não he dá a chance de se movimentar, para deixar a carne mais mole e macia. O único momento em que ele é posto para andar é o seu primeiro e último, a caminho do abate.



Atualmente, movimentos a favor do bem-estar animal estão numa luta em vários países do mundo, fiscalizando e realizando ações de conscientização, fazendo com que a opinião pública cobre atitudes mais concretas. A União Européia está atualmente trabalhando para uma proibição total e efetiva das celas até 2013, proibição aplicável após a quarta semana de gestação,26 e essas celas estão deverão ser eliminadas em vários estados dos Estados Unidos (como Colorado, Oregon, Arizona, Flórida e Califórnia). Smithfield Foods, o maior produtor mundial de suínos, e Maple Leaf, o maior produtor de suínos no Canadá, já se comprometeram a abolir gradualmente o seu confinamento de porcas em celas de gestação.

No Brasil, a ARCA - Associação Humanitária de Proteção e Bem-Estar Animal uniu-se a HSI - Sociedade Humanitária Internacional, para melhorar as condições dos animais criados em confimanento intensivo em escala industrial no Brasil. A primeira foi fundada em 1993, com o objetivo de promover o bem-estar e o respeito aos direitos dos animais. Ela é tida como referência para outras entidades governamentais e não-governamentais, tendo sua atuação reconhecida no Brasil e no exterior. Esta organização interliga profissionais de saúde pública, veterinária, ONGs e sociedade em geral para melhorar as relações homem-animal.

Já a HSI é a divisão internacional da HSUS - Sociedade Humanitária dos Estados Unidos, que trabalha com 10,5 milhões de colaboradores empenhados em desenvolver projetos de sustentabilidade que envolvam o respeito e compaixão aos animais. As duas entidades promovem suas atividades por meio de um site, que pode ser acessado pelo endereço www.confinamentoanimal.org.br, onde o visitante tem acesso a estatísticas sobre a situação enfrentadas por animais criados para consumo, assim como dados concretos das ações efetuadas pelas duas organizações. Ainda há um espaço com dicas de alimentação consciente, com dicas, recomendações e receitas para quem quiser diminuir o consumo de carne ou até mesmo aboli-la de sua dieta.



...E quanto aos vampiros? Acesse o site da produção e confira mais novidades sobre o filme, que ainda não possui data de lançamento no Brasil. E conheça o trabalho da ARCA Brasil, trazendo este dabate para a sua comunidade ou sala de aula. Reflexão e questionamento nunca é demais. Confira o trailer, mais fotos, e os pôsteres da película (clique para aumentar as imagens):














Por Juliano Mendes da Hora

Nenhum comentário:

Postar um comentário