quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

BAILE DE MÁSCARAS















"Terra dos Papangus". É assim como a cidade de Bezerros, no agreste de Pernambuco, é conhecida durante o carnaval. Os papangus têm sua origem nas procissões religiosas, onde as acompanhavam tocando trombeta e distribuindo chicotadas em quem atrapalhasse o cortejo. Para isso, eles se utilizavam de um visual mais agressivo para impor medo aos engraçadinhos que tentassem bagunçar o coreto. Hoje, eles são figuras alegres e coloridas que enchem as ruas da cidade e se espalharam pelo estado durante os quatro dias do reinado de Momo.

Bezerros é o município com a maior concentração destes simpáticos habitantes da nação carnavalesca. Ali surgiram os primeiros papangus, na década de 1930. Nesta época eles eram conhecidos como "papangus pobres", por se apresentarem com roupas velhas e máscaras confeccionadas com papel jornal e goma. Mas eles receberam este nome por que comiam muito. E nem sempre foram Papangus. Eles poderiam ser chamados de "Papa-qualquer-coisa", dependendo do que lhes fosse oferecido. No caso do Carnaval, o angu, comida bastante familiar ao povo nordestino, era o prato mais oferecido a estas figuras. E na região havia dois irmãos foliões, famosos por terem um vácuo no lugar do estômago, segundo a população local. Por comerem muito, e principalmente o angu, foram apelidados de "Papangu", e assim nasceu o nome da festa. Até hoje é servido um café da manhã a quem estiver brincando, durante a segunda e a terça-feira de carnaval, com o menu composto por angu e galinha. Mas só quem estiver mascarado pode se deleitar com esta receita.



Para um costume que começou timidamente, este folguedo popular virou gente grande e ficou maior que cidade que lhe deu vida. A partir da década de 60, os papangus de Bezerros cresceram em número e variedade: A preocupação com o acabamento das máscaras e as cores das batas trouxe um novo fôlego aos personagens, que passaram a render variações em torno do tema, sendo cada vez mais confeccionados por 
diversos artesãos e artistas plásticos.



Esqueleto da máscara feita com jornal e goma

Entre os responsáveis por manter esta chama acesa, a figura de Lula Vassoureiro está para os Papangus como Vitalino está para os bonecos de barro de Caruaru. O ofício das máscaras de papangu é uma tradição na cidade, e como não poderia deixar de ser na cultura popular, onde o tempo se encarrega de passar seus costumes de geração em geração, Lula herdou esta magia de seu pai. Artista reconhecido nacional e internacionalmente, com incursões pela Europa e tendo suas máscaras expostas na sede da ONU, ele administra a Casa Popular Lula Vassoureiro, aberta a visitação. É comum encontrar ônibus com estudantes que agendam visitas ao local, que também recebe os Turistas que passam pela cidade.


Lula Vassoureiro faz questão de mostrar o seu ofício em gostosos bate-papos com quem o visita.

Neste espaço, as obras de Lula reproduzem os símbolos e cenas tão familiares ao povo pernambucano. Os personagens do imaginário popular, com suas danças, brincadeiras, cores e contos são imortalizados em cada peça confeccionada. Tem colheres de pau, passando por bonecas de pano, piões e tudo o mais que você julgava ter se esquecido. Vale à pena visitar este lugar que mais parece um páis saído dos livros de contos, com cores, formas, sons e cheiros que nos remetem às brincadeiras de nossa infância. Por isso, quandoe stiver em Pernambuco, dê uma passadinha em Bezerros. E se você já estiver na região para o Carnaval, coloque sua máscara e espalhe sua alegria pela festa!

Confira mais fotos (Clique para aumentá-las):

 
 Perca-se no museu de Lula Vassoureiro!

Paredes repletas de carnavais passados


Vamos brincar de pião?


Turistas e estudantes passeiam pelo túneo dos bonecos gigantes


Difícil é controlar a vontade de levar tudo pra casa...


Máscaras e mais máscaras!


Juliano Mendes da Hora

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