quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

REDES SOCIAIS: MODO DE USAR


Engana-se quem vê a tecnologia como algo restrito aos aparelhos eletrônicos, avanços na medicina e tantos outros estereótipos disseminados por aí. Ela também traz consigo fenômenos comportamentais, como o das redes sociais. Talvez este conceito seja algo novo para você, mas elas já fazem parte de seu cotidiano há bastante tempo. Vejamos: você já visitou o orkut de seu amigo hoje? Já comentou o último vídeo postado na conta de YouTube de seu colega de trabalho? Já conferiu a nova música de sua banda preferida no MySpace deles? Se a resposta for positiva para alguma destas alternativas, você faz parte de uma rede social.

Se formos prestar atenção, o conceito de redes sociais é bastante simples e está presente de uma forma tão natural em nossas vidas que nem percebemos. Um grupo de amigos ou até mesmo a panelinha do escritório são exemplos de redes sociais, já que para a existência delas basta haver interesses parecidos, fazendo com que essas pessoas partilhem idéias e valores. Não seria surpresa alguma se as redes fossem abraçadas pela internet, iniciando uma transformação sem precedentes na forma como nos comunicamos hoje. Mas isto não ocorreu da noite para o dia. Foi uma evolução natural e discreta. Alguém lembra das listas de discussão por e-mail, no início da rede mundial de computadores? Elas podem ser consideradas o protótipo das comunidades virtuais como as conhecemos hoje.



Se antes estávamos protegidos pela privacidade de nossas contas de e-mail, agora estamos presentes em perfis com fotos, depoimentos, gostos musicais, culinários, hobbies e toda uma gama de informações ao alcance de todos, que entregamos de bandeja conscientemente, ao aceitar os termos de serviço do site responsável pela rede. Tais dados podem tornar mais fácil a interação entre membros, graças à afinidade desenvolvida, além de serem indiscutivelmente atraentes ao mercado que busca formas cada vez mais eficientes de relacionar-se com o seu público-alvo.

Mas por que este tipo de ferramenta faz tanto sucesso no Brasil? Num país de dimensões continentais, com uma mistura de culturas, sotaques e hábitos, encontrar um fator que atingisse todo este público heterogêneo seria como procurar uma agulha no palheiro, certo? Não, se você olhar para algo que sempre esteve bem debaixo dos nossos narizes: A facilidade que o brasileiro tem para fazer amizades e se relacionar.



Entre as redes sociais mais populares no Brasil, está o Orkut. Criado em 2004, esta ferramenta foi concebida pelo engenheiro turco Orkut Buyukkokten como um projeto paralelo às suas atividades profissionais dentro do Google. A grande sacada foi criar novas amizades entre seus membros e proporcionar o reencontro de antigos contatos, o que acertou em cheio no caráter agregador do público brasileiro. Inicialmente focado no mercado americano, o Brasil atualmente corre na liderança da porcentagem de usuários do serviço. De acordo com dados do próprio site, 49% dos usuários são brasileiros. 

No Orkut há comunidades que reúnem milhares de usuários que discutem em torno de um mesmo tema. Que pode ser desde o último show de sua banda favorita, passando pelo último capítulo da novela, até mesmo opiniões sobre produtos. Isso mesmo. O seu produto ou o serviço oferecido por sua empresa pode estar na berlinda de consumidores ávidos por serem ouvidos, e extremamente sinceros tanto no elogio, quanto na expressão de seu desapontamento. Por isso, mais e mais empresas estão atentas às redes. Algumas enxergam o real potencial e se inserem por lá, dispostos a escutar seus potenciais clientes.


Como todo fenômeno recente, suas possibilidades de uso são tão vastas, que dá para ficar perdido frente aos novos recursos que surgem todos os dias. É como se estas ferramentas fossem um imenso papel em branco onde muitos escrevem, mas poucos conseguem completar um parágrafo. Mas há aqueles que não enxergam nisso um problema, e sim uma nova solução que pode contribuir para o seu crescimento e fidelização de suas marcas. Foi o caso da rede de lojas Centauro, especializada em artigos esportivos. Segundo o seu gerente de e-commerce, Marx Câmara, as redes sociais já eram conhecidas, pelo contato do dia-a-dia com os colegas do trabalho, amigos e família, mas o projeto de reformulação do site da rede de lojas foi o que chamou a atenção para a necessidade de se estabelecer um contato mais próximo com os clientes.

“Nós gostaríamos de levar informação de qualidade e atualizada, e um dos instrumentos para se conseguir isso é estreitando o contato loja-usuário. A partir daí, o pensamento naturalmente se direcionou às ferramentas que as redes sociais oferecem, abrindo a possibilidade de estabelecer uma relação mais humana e direta.”, revela o gerente. Primeiro passo dado, a empresa então estudou as particularidades das ferramentas mais populares e seus públicos distintos, para marcar presença de forma eficiente e otimizar suas ações. O Orkut, por exemplo, é utilizado como ponto de partida para viralizar as promoções da loja, além de novidades e eventos, a partir da comunidade oficial da Centauro. E os frutos colhidos são bastante expressivos: “Os membros da comunidade solucionam ali as suas dúvidas e problemas. Como o contato é mais direto e humanizado, o cliente sai mais satisfeito com o atendimento. As redes sociais nada mais fazem que agilizar os procedimentos junto ao Serviço de Atendimento ao Consumidor, mas a impressão final do cliente é a de que ele finalmente foi ouvido por alguém”, ressalta Marx.




A Centauro também está presente em outras redes, com abordagens diferentes em cada uma. Foi o caso do MySpace, serviço criado em 2003 e bastante popular nos Estados Unidos, famoso pelo recurso de armazenamento de MP3, o que atraiu muitas bandas, que por sua vez, atraíram milhares de usuários encantados com a possibilidade de adicionar os seus artistas favoritos à sua lista de amigos. A rede de artigos esportivos aproveitou este potencial musical e lançou a promoção Centauro Ritmos, disponibilizando downloads de músicas remixados pelo renomado DJ Camilo Rocha, a fim de turbinar os treinos físicos dos clientes. A ação também explorou os outros recursos do site, onde os usuários puderam concorrer a prêmios, enviando vídeos e frases que captassem o lema da loja, criando interatividade e atraindo a atenção de outros internautas, a partir de uma divulgação natural de quem já estivesse utilizando o site e participando da promoção.


Espantoso, não? E pensar que tudo começou de uma inocente (será?) interação entre pessoas e coleção de contatos. Mas não para por aqui. Se ainda tem mais? Fique ligado na próxima atualização da Cajumanga e siga o nosso Twitter para ser avisado!

Juliano Mendes da Hora

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