terça-feira, 2 de junho de 2009

A microfonia do ser


Hoje eu estava revirando velhos papéis e reencontrei estes traços de um Juliano que eu julgava perdido. A confissão abaixo data de 04 de Julho de 2005. Eu tinha saído de um luto emocional muito forte causado pela morte de um amor e de uma decepção com uma pessoa que eu julgava minha amiga.

Por outro lado, estava me formando e vislumbrando nos ares para mim fora da universidade. Sabem, eu me olho no passado e vejo quanta força eu tinha. E quanta força eu esqueço que eu tenho. Muitos falam pra gente deixar o passado pra trás, se agarrar somente ao presente, e escrevê-lo com excelência, pois o futuro será o produto da sentença que vamos deixar gravada na folha em branco da vida.

Mas nem tudo do passado deve ser deixado pra trás. A fé presente nestas palavras, por exemplo:

"Quantos ciclos fechamos por ano? Quantos ciclos fechamos por decisões tomadas? Estive notando que este ano está sendo um divisor de águas pra mim. Limpei a casa e botei pra fora um monte de objetos e pessoas ornamentais e inúteis. Deixei a casa aberta pra ventilar e fui passear comigo mesmo. Foi ótimo.

Cresci como pessoa e tive a chance de crescer como profissional. Agora tenho certeza de estar perto das melhores pessoas e de tudo que me faz bem. Tenho colegas que me valorizam e me encaixam em oportunidades únicas de crescimento profissional. Tenho amigos que sempre estiveram comigo e sempre vão estar. Tenho pai e mãe, agora mais do que nunca. Fiz novas e claras amizades, tão limpas e sinceras quanto o seu primo de sete anos que diz na lata que odeia bife de fígado quando sua mãe põe o almoço na mesa. Simples assim.

Me percebo mais e mais nu à medida em que tempo vai passando. Mais leve. Mais absorto em meus pensamentos e mais abraçado à minha vida, ao que eu irei fazer daqui pra frente. Mas nem por isso menos atabalhoado e espaçoso. Espaço é o que preciso. Preciso de um espaço enoooooorme pra poder preencher ele com as vozes e o calor das pessoas que amo. Se eu quisesse ser sozinho, me contentaria com o diâmetro do meu próprio abraço. Eu me amo. Mas gosto de amar outrem e que outrem me amem também. O que é redundante. O amor vem de dentro da gente. Se não temos aqui, como podemos retribuir o que vem de fora?

De tempos em tempos visito meus amores. Cada um amado e cultivado de uma forma diferente. Ninguém me terá do jeito que quem me teve em 2002, ou em 1999. Ainda assim, terá um Juliano dedicado, romântico, espaçoso, engraçado, tímido, ansioso e atirado como todos que me tiveram.

Paradoxal?

Não. A nossa essência está em um lugar tão seguro dentro de nós, que nem nós sabemos a localização exata dela. Não precisamos saber onde ela está. Nós só a sentimos, e isso é o bastante para nos manter de pé. Tudo o que senti e vivi foi maravilhoso, e azar de quem nunca mergulhou em direção ao amor e à vida como pular de bungee-jump sem as cordas. Ainda me pego pensando como seria a vida com cada pessoa que eu amei, Lembro de como foi bom toda a dúvida antes de dar os próximos passos, a ansiedade, o tremor, o coração acelerado, a euforia antes de cada encontro ou no momento de lembrar do sorriso deles. Lembro de como será bom novamente quando eu esbarrar com o amor na próxima esquina.

Para cada um foi um nascimento e um luto. E uma essência mais protegida, mas não menos atingível. Só estou mais esperto. Muitas pessoas acham que é fraqueza ou acham que não superaram a perda quando elas próprias ou seus amigos se pegam lembrando de alguém que amaram muito. Nos pegamos pensando naqueles que não eram pra ser quando volta a necessidade de encontrar quem deve ser. Aí lembramos do que fazer, do que evitar, do que queremos.

E o que eu agora acrescentei à minha lista? Além de tudo o que eu sempre quis, quero alguém não jogue tudo pro alto, inclusive o relacionamento, quando um problema aparecer. Quero alguém que se aceite e se ame, que não minta para si mesmo. Quero hotéis nas férias com cama de casal, cansei de juntar colchões.

A minha última experiência me deixou muito puto e triste, mas diante dessa atitude, vi que foi melhor que isso acontecesse antes que ficasse mais sério, pois isso só provou a imaturidade dele ao lidar com problemas, e esse iria bater à nossa porta mais cedo ou mais tarde. Então, antes que eu mudasse a minha vida por completo e largasse tudo por ele, ele se revelou e mostrou um futuro com o qual eu NÃO deveria sonhar.

Ele não foi homem o bastante. Falo do homem no âmbito do ser vivo que todos somos, não do gênero apenas. É um covarde e podem ter certeza quando falo que eu tô muito bem agora. Quero a simplicidade de um homem da escala da evolução de Darwin, que sabe que temos nosso tempo aqui neste lugar e que use este tempo para viver.

Seguindo este preceito, não confundam contemplação com tristeza ou amor reprimido. Quanto aos ciclos, mais um está perto de fechar. Estou na porta do resto da minha vida. Acho que não tenho medo por que não sei o que me espera depois da formatura. Mas uma coisa é certa. Assim como a procura na rota de Darwin, o encontro com as descobertas que nos aguardam será no mínimo, divertido. Olhei prum bebê e vi a curiosidade e o avanço frente ao que eu não conheço que todos perdemos quando crescemos.

Engraçado como crescemos mas aprendemos a guardar um passo atrás quando se trata do desconhecido. Vou tentar ser o homem no seu sentido mais pleno que fui nos meus primeiros momentos de vida."

E você? O que você aprendeu com o seu passado? E como será que ele moldou o seu futuro?

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