terça-feira, 26 de maio de 2009

Sóbrio

Relacionamentos são uma coisa que não dá para descrever. Na casa dos meus recém completados 31 anos, confesso que caminho numa linha tênue entre o apego e total falta de preocupação. Faço parte de uma comunidade no Orkut que se chama "Sou mais inteligente solteiro", o que explica em parte o meu problema. Quando encontro alguém que estabelece uma certa frequência de contato, despertando afinidades e aumentando a vontade de estar junto, eu vivo o momento. Eu funciono como uma lupa, que enxerga a grandeza das pequenas coisas e aproveito 100% de cada segundo. Mas quando não dá certo, sinto na mesma proporção alcançada pelos detalhes com a ajuda da lupa.

Tipo, a gente nasce sozinho, certo? Você não veio ao mundo de mãos dadas com o amor de sua vida. Para te auxiliar nesta caminhada você tem seus pais e os amigos que você conquistará ao longo do tempo. Mas onde fica o amor nisso tudo? Amor é uma coisa idiota. Linda, mas idiota.

Vejam só: Por anos e anos, caminhamos neste planeta com amor de sobra que recebemos de milhares de pessoas que conhecemos ao longo da vida e com quem mantemos laços. Mas também absorvemos por osmose a idéia daquele amor composto por um casal, com sininhos tocando e blá blá blá. As histórias nos livros, os filmes, as novelas, o shopping center, tudo confabula para que você ponha um amor entre aspas como uma de suas prioridades da sua vida. Qual amor estamos procurando? Você pode até não perceber, mas no fundo sabe que o amor não é nada do que você leu, ouviu, assistiu ou comprou pra dar de presente pra alguém.

Vejam só como são as coisas: Depois de se acostumar a estar com alguém, aquela pessoa descobre uma outra direção na estrada e resolve seguir sozinha. Pode ser diferença de valores na vida, diferença de planos, diferença de sintonia, diferença de idade (o que acarreta as três primeiras diferenças), enfim. A lista é grande. A dor de reaprender a caminhar sozinho também é. Sabe por quê? Por que a gente é bombardeado desde o dia em que nascemos com a idéia da cara-metade. Sabe, admitir que ninguém é insubstituível não deveria ser algo que ofendesse as pessoas. Muito pelo contrário. Deveria ser libertador. A última pessoa a cruzar o meu caminho não é insubstituível. Assim como todos os outros que vieram antes dele. Podem deixar suas marcas e contribuírem com nosso amadurecimento, mas insubstituíveis, não são. Até por que, nós temos a consciência de que se não deu certo, é por que não éramos aquilo que procurávamos, qual o problema nisso?

Lógico que a saudade faz a gente sofrer e chorar, mas acreditem, eu sofri mais pelo fato de assitir a morte do amor do que pela falta da pessoa em questão. O amor é como se fosse um filho que a gente cuida para que ele cresça sadio e feliz. Não é a pessoa em questão que nos faz felizes. É o amor presente entre você e ela. É este sentimento que nos causa um barato mais legal que a maconha. Se a nossa felicidade estivesse na pessoa e não no sentimento, estaríamos consumindo anti-depressivos como quem toma água.

O amor é que nem a amizade. Veja os seus amigos: Você os ama pela afinidade que vocês dividem. Pode até aparecer uma pessoa com virtudes admiráveis e uma trajetória que te inspire, mas isso não é garantia de que você vá querer cultivar uma amizade com ela. É aquele caso do "Acho fulano fantástico como profissional, mas fora disso, quero distância".

O fato é que a gente esqueceu do dia em que a gente nasceu. Não viemos acompanhados. Não há cara-metade. Há sim, uma pessoa que vai te adicionar coisas boas à tua vida, sem essa de te completar. Uma pessoa com quem você vai querer contar primeiro as novidades, uma pessoa que você vai querer cuidar, apoiar e vibrar de graça cada degrau que ela subir rumo ao alcance de seus sonhos. Uma pessoa que naturalmente fará o mesmo por você. Que seja exatamente como os seus amigos.


A gente esquece de que uma coisa não existe sem a outra. Para estarmos prontos para estar com alguém é preciso a consciência de que o amor tem que partir de algo tão honesto e simples como amizade. Não tem essa de "Você é meu namorado, não é meu amigo". Aí é que você se engana. Acho que o amor mais puro se encontra em nossos pais e nossos amigos. E nos nossos cachorros. Enfim, é a coisa mais sadia que existe. Seus amigos podem não despertar nenhuma atração mais forte que caracterize um envolvimento ainda mais íntimo, mas um "amor" sem uma base forte como a que encontramos na honestidade, cumplicidade e doação presentes na amizade, já nasce doente.

Não deveria ser tão assustador estar sem alguém legal, nem tão dolorosa a dor causada pelo fim de algo que não deu certo. Como você vê as coisas? O copo está meio cheio ou meio vazio? Depois do luto inerente à todas as mortes, inclusive a dos sentimentos, eu vejo que o meu está meio cheio.

Se você acha que o seu copo está vazio, se você acha que você foi conquistado, seduzido e jogado fora, pare um pouquinho e preste atenção. Qual é a dos sedutores e seduzidos? Eles existem? Não! Acredita nisso? Por mais que haja alguém que tome a iniciativa (teoricamente o sedutor), se a atenção dele foi despertada para seduzir, então ele já não foi... seduzido? Quem seduz quem, cara pálida? Alguém seduz? Tive a oportunidade de conhecer várias pessoas que acreditaram piamente no seu poder de sedução e atração durante toda a sua vida... Acho que elas viveram um pouquinho enganadas, é fato. Este tipo de raciocínio não existe. Da mesma forma que existem várias direções, não haverão apenas estradas de mão-única. Ninguém apenas seduz e ninguém apenas é seduzido.

Quando a gente consegue ver que é isso mesmo que acontece, muitas de nossas minhocas vão embora. Posso dizer que me sinto mais aliviado, até. Quando a situação está ruim, o que a gente faz? Se mexe pra mudá-la, oras? Já disse Madonna na sua sábia canção "Jump": I'm not afraid of what I'll face, but I'm afraid to stay". Eu é que não vou ficar nessa.


Por isso, ninguém pode me julgar ao me ver no meu direito de me sentir bem, de abandonar a tristeza. Muito menos a pessoa a quem eu dediquei o meu amor. É simplesmente chegar pra esta pessoa em questão e dizer: "Eu te entreguei meu coração, não deu certo, e mesmo você admitindo que não se sentia capaz de retribuir, você realmente gostaria de me ver sofrendo pra sempre?"

É estranho. As pessoas terminam relacionamentos. Sempre há o lado que toma a iniciativa do fim, mas que depois sente um certo incômodo em ver a parte abandonada tratando de cuidar da própria vida. E o que é pior: Sorrindo!

Alôôôôôôôuu, vamos acordar? Ou esqueceu que foi você quem terminou e recomendou que a outra parte seguisse em frente e em paz? O fato dela estar sorrindo e na companhia de outras pessoas não significa que suas lágrimas de outrora foram mentira. Significa que ela está exercendo o seu direito primordial de ser feliz. E de não morrer desidratada pela quantidade de lágrimas debulhadas.

Eu faço a minha parte. Foi triste? Foi. Mas sabe o melhor? Não preciso de um novo namorado para superar outro. E alcançar este nível de estado de espírito é algo que você conquista. E do qual deve se orgulhar. E agora? Agora é se alegrar, outras histórias estão por vir, outras chances de você fazer as coisas de um jeito diferente, isso não te dá um frio na barriga? Não é legal?

O bom de ter tido uma grande quantidade de tentativas na sua vida é poder aprender com elas. Acho que ninguém deve se envergonhar da quantidade de vezes que tentou e não deu. Isso não quer dizer que você não tenha acertado. Quando uma coisa acaba, é como se a gente voltasse o filme, desta vez com uma página em branco para escrevermos um novo script.

Sabem, quando encontro alguém e esse alguém me retribui de alguma forma, eu invisto. Cuido como quem cuida de uma árvore, para que ela fique forte e dê frutos. Quero que ela cresça e dure pra sempre. Mas ao mesmo tempo, fico feliz de tantas coisas não terem dado certo. Quando eu era mais jovem, eu morria de medo de chegar a uma certa idade com pouca ou nenhuma experiência. Hoje eu vejo que a gente só consegue acumulá-la com todos os erros na tentativa de acertar. A cada erro, estamos mais perto dos acertos. Claro, isso não é uma regra. Não estou dizendo que quanto mais quebrarmos a cara, melhor. Mas é inegável a quantidade de vivência que acumulamos ao longo dos anos com tudo isto.

Quem vê pensa que eu não tenho nenhuma minhoca na cabeça, certo? Errado. Sou igualzinho a vocês. O que acontece é que eu vi que tinha muita coisa no meu modo de pensar que não me servia mais e não estava me levando a lugar nenhum. Por isso estou fazendo por onde mudar a cabeça e as atitudes. Afinal, é estaca zero. Oportunidade pra um novo Juliano. Saiam da frente, que eu vou ser feliz.

P.S.: Estou sóbrio.









Uma garota conhece um garoto, e a garota fica balançada
O garoto desaparece, Ela tem seu coração em pedaços
Palavra alguma é dita
O garoto volta e começa a agir
Como se tudo estivesse bem
Logo, ela o põe de volta sobre um pedestal
Ela apenas vê o que ela quer ver
O amor é cego, o amor é tão enganador

Eu vejo a luz, oh, que luz!
E eu estou sóbria
Tudo que você me serviu até hoje
Nunca mais vou aceitar
Eu tive o tempo de pensar sobre
E vejo o você que eu nunca conheci
Agora, está finalmente indo à pique
Eu estou sóbria

Um dia, a garota levanta e sente o cheiro de café
Percebe que ela está sozinha agora
Totalmente solitária novamente
O garoto aproveita cada oportunidade
Para apostar em qualquer insegurança
Consegui-la de volta
Ela está entorpecida, novamente no meio do fogo
Mas ela voltará a cavar seus antigos desejos?

Eu vejo a luz, oh, que luz!
E eu estou sóbria
Tudo que você me serviu até hoje
Nunca mais vou aceitar
Eu tive o tempo de pensar sobre
E vejo o você que eu nunca conheci
Agora, está finalmente indo à pique
Eu estou sóbria.

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