quinta-feira, 16 de abril de 2009

Avenida 10

Ontem no ônibus revi um de meus colegas de jardim de infância. Foi muito legal. É incrível como algumas pessoas mantêm a essência de seu semblante por anos e anos, não é mesmo? Elas podem até envelhecer, mudar aqui e ali, mas sempre terão aqueles detalhes que denunciarão a sua identidade.

Saudade dos tempos em que a minha maior preocupação era chegar cedo e pegar um bom lugar pra assistir aula. Conversamos e relembramos muitas coisas, perguntamos por fulanos e sicranos, nos intrigamos sobre o rumo tomado pelas Tias Mônica, Cristine e Shirley, e por onde andará tia Báia. Provavelmente descansando em paz, ela já era bem velhinha quando nos recebia no portão.

Lembramos das risadas e das brigas. Todas superadas. Mas aí você vem e diz, "É claro que foram todas superadas! Vocês eram crianças!"

Mas aí eu te digo: Não somos mais, mas fatídicamente estamos crianças em todos os momentos que deixamos escapar palavras e atos inúteis em discussões e conflitos idem. Por esquecer disso, hoje temos muito mais dificuldade de perdoar e seguir em frente. Aonde eu ponho o perdão e a superação agora?



Desde o tempo de menino eu brincava
Com ar de sonhador
Conheci a natureza
Beijando meus pés
O movimento da vila da rua
O ronco do tambor
Em todos os arredores
Da avenida 10

Os guaranis festejando a paz
O guerreiro bumbum
Éramos todos devotos
Meninos fiéis
Quando não era possível ter sonho
A gente tinha um
E ele girava em torno
Da Avenida 10

O movimento do parque
O jogo de bola na lama
A bandeirinha é o poste
Bom barquinho eu quero passar
A lata no carnaval
Pra nós tudo aquilo era a vida
Em meio aquela alegria
A bagunça saía a tocar

Minha casa bananeira o jardim
Os meus amigos, eu,
Quinho, Bonfim, Nelson,
Neguinho e Moisés,
Galvão, Fernando, João e Omar
Todos irmãos Eris
Hoje nós somos saudades
Da Avenida 10

-Babal

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