quarta-feira, 15 de abril de 2009

Alô, alô, marciano...

Ainda procurando vida inteligente na Terra. A coisa é bem complicadinha pra mim, visto que sou uma criatura ainda sem classificação na escala de evolução de Darwin. A maior dificuldade das pessoas gostarem de mim está no fato de eu nunca ser 100% alguma coisa. Ou 100% nada. Aliás, nem uma coisa, nem outra. Se eu fosse uma música, neguinho que curte MPB iria possivelmente me achar um som muito pesado...

Já a galera do Sepultura, esses certamente me achariam um som muito leve... Também não sou sujo, desafinado, barbado, ou magro metido a nerd estiloso, nem tatuado ou viajado, ou prolixo, ou fã de bandas indies o suficiente pra ser considerado "cool"... também não ando pelo cenário dito "underground"... então, me digam... que diabos eu sou, hein, hein?? Um "fake"?...

Resumo da ópera , essa posição "intermediária", acaba por me deixar ao mesmo tempo entre os dois mundos, mas sem me beneficiar de nenhum dos lados... O máximo que posso fazer é seguir de acordo com os meus valores, tratando bem sem ver a quem. O resto de coisas boas que possam surgir serão consequência disso. Eu preciso do que já tenho dentro de mim. Eu sou aquilo que tenho para oferecer. E aprecio receber de volta aquilo de que gosto. Alegria, abraços e sorrisos. Nunca precisamos deles como estamos precisando agora...

Tirando o foco do meu próprio ego, tenho tentado desenvolver o hábito de apreciar as pessoas e agradecer por cada coisinha que está ao meu redor. Em relação à tudo que não seja humano é mais fácil para mim, por causa do meu olhar de fotógrafo. Tem horas que eu me sinto bem vendo determinados tons de azul do céu competindo com o verde das plantas e o multicolorido dos carros que passam em frente ao prédio do meu escritório, enquanto como uma coxinha na pausa do serviço. Fico contemplando estas manhãs tão bonitas que a gente deveria apreciar tão naturalmente quanto respiramos.

Mas quanto aos humanos, eu desisti de entendê-los. Apenas tento achar o diplomata escondido dentro de mim para me ajudar a enxergar o melhor delas. E tentar enxergar o melhor das pessoas está cada vez mais difícil. Já notaram como a ordem do últimos dias nas últimas décadas tem sido cada um por si e Deus por todos? É sempre nós mesmos, nós mesmos, nós mesmos.

Não sou contra amarmos a nós mesmos - sem isso não conseguirímos nem ajudar os outros. O que me assusta é o grau de atenção aos nossos próprios interesses, deixando muitas vezes de olhar quem está a nossa volta. E movidos tão cegamente pelo nosso ego, chegamos até a prejudicar o outro para defendermos a nossa " verdade absoluta ". E são tantas as verdades se pararmos pra pensar. A minha, a sua, a das outras pessoas - cada qual com a sua, não é mesmo ?

Mas no fundo somos todos iguais.Todos nós queremos e desejamos ser felizes, certo ? Seja de que maneira for.

Sem julgamentos.

Um exemplo que pode ser benéfico, é colocar-se no lugar do outro.
No livro "Arte da Felicidade" do Dalai Lama, ele diz ;

" Já falamos da importância de abordar os outros tendo em mente o pensamento de compaixão. Isso é crucial. É claro que não basta simplesmente dizer a alguém,

"-Ah, é muito importante ter compaixão; você precisa ter mais amor pelos outros."

Simples, não? Mas ela não funciona sozinha, não é simplesmente chegar e dizer "Ah, é isso". Pra entendê-la é necessário a gente raciocinar um pouquinho é pensar em como a gente se sente quando alguém legal conosco e o quanto de stress a gente pode evitar quando a gente tenta se colocar no lugar do outro. Claro que haverão alguns filhos da puta que não merecem que você se ponha no lugar deles, mas o simples fato de exercitar isso já evita maiores discussões e entrelinhas que põem minhocas nas nossas cabeças. Você não será um otário se praticar isso. Filhos da puta são burros e cavam a própria cova em cada merda que fazem. Faça a sua parte, siga em paz e durma com a cabeça tranquila no travesseiro.

Transformar o mundo ao nosso redor não nenhum bicho de sete cabeças. Só é trabalhoso... Se eu pudesse, esmurraria cada pessoa que encheu o meu saco e minha cabeça e a partir daí iria começar o meu treinamento de compaixão. KkKkKkKkKkkKKkkKkKk!

Enfim. Se a raiva e a ignorância conseguem ser disseminadas por aí, é sinal de que alguma coisa funciona, né? Que tal botarmos essa engrenagem pra funcionar com amor, respeito a si próprio, ao próximo e solidariedade?

Um beijo.

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