domingo, 4 de março de 2012

THAT'S ALL, FOLKS!

Entro numa fase bastante intensa da minha vida. E apesar da minha pessoa possuir intensidade em atos e sentimentos, me indisponho com a vida quando ela resolve me imitar. A minha rapidez se traduz no meu pensamento, nas minhas respostas, no meu desejo de agir, para poder pelo menos aproveitar melhor o tempo, para que ele pareça mais devagar e me sobre mais espaço para o ócio criativo e para os prazeres simples.

Intensidade não se traduz em velocidade. Posso ser espalhado, mas sou um espalhado slow-motion. amo o estilo slow life, o contrário dessa loucura na qual estamos inseridos, que nos rouba o principal da vida: o prazer de saborear os momentos. Nos ocupamos tanto, que negligenciamos família, amigos, tardes sozinhos, cafés com livros, e meio mundo de experiências que valem a pena, para provarmos que podemos produzir mais, e sermos ótimos profissionais, ótimos amigos, amantes, namorados, empregados, estagiários, etc. Não somos máquinas. Não precisamos ser perfeitos em tudo. Isso não existe. Quem quer ser perfeito em tudo, não consegue profundidade em nada do que tocar.

Eu prefiro ser muito bom em algo no qual eu tenha foco e que me faça crescer naturalmente.

Estou perdendo muitas coisas da minha vida. Não preciso provar nada pra ninguém. Estou numa idade que a paciência curta se mostra uma mestra na negociação de nossa energia com as demandas que encontramos na vida. Que bom poder envelhecer e ser um pouco mais racional, com essa paciência curta que sempre nos puxa a camisa pra lembrarmos do custo-benefício das coisas.

Amo escrever, mas este blog não me dá mais prazer. Por que não consigo corresponder à proposta que desenvolvi para ele. Num futuro próximo, quando eu tiver condições melhores em termos materiais, eu poderei recheá-lo como ele merece.

Por enquanto, ainda sou um estagiário que conta os centavos pro almoço, pras xerox, pra passagem e morre de medo de ser assaltado, e ficar sem a sua única ferramenta de trabalho, que lhe ajuda a pagar as contas no fim do mês. 

Vocês podem me acompanhar na internet pelo meu blog pessoal-profissional no Wordpress. Profissional, por que lá o foco é na minha fotografia. No meu trabalho, que ao mesmo tempo me dá um prazer enorme. Ou seja, podem esperar atualizações mais que frequentes. 

Também é pessoal, por que há espaço para algumas linhas acompanhando as imagens, textos curtos, sem a pressão da formalidade do texto jornalístico, pelo qual eu não sou pago para ter de aguentar um editor imaginário me cobrando o compromisso com as regras, com a checagem e outros pormenores. Uma querida amiga uma vez me disse: 

"-Seja onde você estiver, dê apenas 50% de si pros outros."

Como ela estava certa. 

Agora, deixo a cajumanga, que se dedicava a muitos, para me dedicar a mim mesmo. Por que eu mereço me esforçar para divulgar meu próprio trabalho, aquilo que me dá prazer e me faz feliz.

E quando a gente faz algo que nos traz felicidade, a vida fica muito mais fácil. Qualquer esforço nesse sentido deixa de ser uma montanha a ser escalada para ser uma etapa a ser cumprida por que queremos, por que somos curiosos, por que esquecemos de comer e de beber água quando fazemos aquilo que amamos.

Com essa energia, não dá pra ter medo de aprender mais, de me esforçar mais. 

Obrigado pela companhia, para quem me leu até aqui.

Deixo de ser cajumanga, para ser simplesmente Juliano Mendes da Hora.

http://julianodahora.wordpress.com

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Roberta Campos finaliza novo disco

A compositora e cantora mineira radicada em São Paulo lança até meio deste ano o sucessor do seu último trabalho de estúdio, o delicado "Varrendo a Lua", de 2010. Para esta nova empreitada, ela conta com um time de peso nos arranjos, instrumentos e letras. Este disco marca a nova fase da artista, que vem conquistando seu espaço no seu próprio ritmo, "pelas beiradas". Bastante tocada em FMs do segmento MPB, Campos possui uma sólida base de fãs formadas muito mais pelo boca-a-boca e pela forte presença na internet. Ela está sempre online no Twitter (@robertacampos) e atualizando o seu site oficial.

Para o próximo CD, ela traz Davi Moraes (filho de Moraes Moreira), Marcos Susano (que gravou com Lenine o antológico 'Olho de Peixe'),  Paulinho Moska (que dispensa apresentações), Leoni, Frejat, Zélia Duncan, Dunga (sambista autor de uma pá de músicas que você cantarola no chuveiro e nem sabia que era dele), entre outros.

Para quem não conhece ela, dou duas palavras: pop folk, com arranjos simples, porém eficientes, daqueles que grudam na cabeça, com um toque de melancolia nas letras que falam de saudade. As letras mais ensolaradas têm o efeito contrário: Elas praticamente te pedem para ser colocadas no carro, com um pé no acelerador e um sorriso nos lábios. Mas fique esperto no volante: Você e pode ir parar na estratosfera ou voltar no tempo sem perceber. O efeito lisérgico emocional aqui é forte.


Isso faz do som de Roberta Campos uma eficiente pílula de lembranças. Tanto daquelas que você já teve, como daquelas que você anseia ter ao lado das razões do seu afeto.

Gostou? Enquanto você espera pelo novo CD, que tal ganhar um exemplar de "Varrendo a Lua"? Sim, temos um exemplar deste álbum, lançado em 2010 pela Deck Disc. Ele conta com composições próprias da Roberta, além de uma bela versão de Lô e Márcio Borges (Quem sabe isso quer dizer amor, já gravada por Milton Nascimento) , com participação de Dadi e Nando Reis. 

Para participar, é simples! Se você tem uma conta no Twitter, dê RT na seguinte frase, para concorrer:

"#Sorteio - #Musica: quero o CD da @RobertaCampos que @cajumanga tá sorteando:  O resultado sai na quinta-feira, dia 1 de março!

E boa sorte!

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Última semana para a Fumaça do Pajé

Quem está no Recife neste final de fevereiro não pode deixar de visitar "A Fumaça do Pajé - O novo Mundo Livre". A exposição do artista gráfico Derlon Almeida entra em sua última semana na Sala Nordeste,  com visitação aberta das 14 às 18h (domingo) e das 10 Às 18h (segunda à quarta).

A mostra traz uma série de desenhos inspirados na técnica da xilogravura, que dialogam com o repertório do novo disco da Mundo Livre S/A. O álbum conta com um trabalho conceitual galgado na relação do indivíduo contemporâneo com a tecnologia e os desdobramentos sociais e ideológicos deste cenário. Nas paredes de Derlon, é possível ver átomos e monitores ligados a elementos indígenas, que remetem às letras de "Novas Lendas da Etnia Toshi Babaa"novo trabalho da banda. 

Para quem não conhece, a arte de Derlon se faz presente pelas ruas do Recife, combinando a linguagem popular da xilogravura com elementos mais urbanos, como o grafitti. Se você perder a exposição, não deixe de tirar uma foto com uma de suas várias obras espalhadas pela cidade. Por que assim como a vida, a arte de Derlon não tem controle. Ela está por aí, solta, entregue à velocidade e à efemeridade do tempo.

Derlon mantém um blog, onde você pode conhecer um pouco mais de sua arte, e se localizar melhor na hora de sair em busca de suas intervenções pelo Recife: http://derlonalmeida.blogspot.com/


A Fumaça do Pajé - Exposição de Derlon Almeida
Visitação até 29 de fevereiro (quarta-feira)
Horários: 14 às 18h (domingo) e das 10 Às 18h (segunda à quarta)
Local: Sala Nordeste - Rua do Bom Jesus, 237, Bairro do Recife - Recife-PE
Informações: (81) 3117.8442 e 3117.8430

Eliane Elias incendeia o jazz

Que o Brasil é um celeiro imenso de talentos musicais, todo mundo já está cansado de saber. Agora, por que diabos muitos destes talentos encontram maior reconhecimento lá fora em vez daqui, ninguém sabe explicar. Eliane Elias é um caso que se encaixa nesta categoria. Nascida em em São Paulo, a filha de pianista clássica se deixou levar pelo encanto do piano aos 13 anos e não parou mais. Mudou-se para os Estados Unidos e lá foi ficando, ficando, ficando, até se naturalizar, estabelecendo raízes em Nova Iorque, paraíso para os amantes do jazz, com seus clubs e bandas que parecem brotar de árvores, tamanha é a quantidade de músicos em atividade.

Eliane conta com uma discografia de 23 álbuns, a maioria indisponível ou fora de catálogo por aqui no Brasil. Mas a maré parece estar mudando aos poucos. Alguns de seus trabalhos mais recentes ganharam edições nacionais. É o caso de "Light my Fire", nova empreitada da paulistana-iorquina, lançada pelo sela Universal Music brasileira no início deste ano.

"Light my Fire" é um disco sofisticado sem ser chato. Conta com o talento no piano e na voz de Eliane, acompanhada de um time irrepreensível que inclui o violão de Oscar Castro Neves e Romero Lubambo (este frequente nos discos da Jane Monheit), o baixo de Marc Johnson, a percussão de Marivaldo dos Santos e a participação de Gilberto Gil nos vocais convidados.

Basicamente, o conjunto das 12 músicas presentes neste disco são fortemente moldadas na tríade piano-violão-percussão, que envolvem de maneira harmônica a voz grave e sensual de Eliane. O CD Alterna momentos mais calmos, de contemplação, com levantes mais festivos, caso das três faixas divididas com Gil, "Aquele Abraço", "Toda Menina Baiana" e "Turn to Me (Samba Maracatu)", compondo um belo cartão de visitas da diversidade sonora presente no Brasil.

Entre os destaques, além dos citados duetos com Gilberto Gil, estão os covers de Ary Barroso em Isto Aqui o Que É, Stevie Wonder, com Mon Cherie Amour e The Doors, com a canção título do CD, "Light my Fire", aqui convertida num jazz provocante e convidativo, perfeito para ser acompanhado com champange, olhares lânguidos e mãos bobas.

Os arranjos aqui dispostos tem um quê de leveza e apuro estético que ultrapassa a simples audição. O que está em jogo aqui é um conjunto de imagens que se desenvolve a partir dos instrumentos dispostos. Basicamente, é um disco de música brasileira cantando parcialmente em português, inglês e francês que assume uma faceta cosmopolita, mostrando um  Brasil vasto e refinado em termos culturais. Temos o Brasil nordestino nos duetos com Gil, o latino em "Stay Cool" e Bananeira, o carioca em "Rosa Morena", e o antropofágico em "Made in Moonlight", que remete à MPB jazzística de Ivan Lins. Vale a pena.

OUÇA O DISCO COMPLETO AQUI:

Light My Fire by concordmusicgroup

Se você ficou interessado em ter o CD, ele está disponível nas melhores lojas do ramo. Se você não está podendo comprá-lo agora, a Cajumanga tem DOIS CDS Light My Fire para dar de presente!

COMO PARTICIPAR?

Corra pro Twitter e dê RT na mensagem:

"Eu quero ganhar o novo CD da Eliane Elias que @cajumanga tá sorteando: http://bit.ly/Aw4Pdk"

O resultado sai no dia 9 de Fevereiro (quarta-feira). Boa sorte!